Caracas - Pesquisa de boca-de-urna divulgada ontem dava a Hugo Chávez a vitória na eleição presidencial venezuelana. O candidato à reeleição para a Presidência da República na Venezuela aparecia com 18 pontos percentuais de vantagem sobre seu principal adversário, o governador do Estado de Zulia, Manuel Rosales. A consulta foi feita pela empresa americana Evans/McDonough, contratada pelo governo venezuelano.
A expectativa era que os primeiros resultados prévios da eleição fossem divulgados às 21h (horário de Caracas), mas problemas registrados nas urnas eletrônicas atrasaram a divulgação dos números e provocaram troca de acusações entre o socialista Hugo Chávez, que concorre a mais seis anos no poder, e o moderado Manuel Rosales, candidato da oposição.
“Tenho relatos de problemas em 36% dos centros de votação que historicamente votam na oposição e em apenas 5% dos que votam no governo”, disse Manuel Rosales, ao votar pela manhã em Maracaibo, Capital de Zulia, Estado do qual é governador licenciado. “Não quero pensar que seja manipulação, mas peço ao Conselho Nacional Eleitoral que verifique isso e ao eleitor que tenha muito cuidado”, afirmou.
Logo depois, ao votar em Caracas, o presidente venezuelano respondeu. “Toda informação que tenho é que tudo anda normalmente”, disse. “Espero que não seja alguém se sentindo derrotado que já comece desde cedo dizendo isso e aquilo.” Para Chávez, o candidato da oposição lançar dúvidas “pode ser um sinal muito negativo”. “Peço que todos nos sintamos vencedores e não comecemos a buscar desculpas.”
Apesar disso, as eleições transcorrerão em clima tranqüilo. Os venezuelanos foram despertados ontem por rojões que os convidavam a levantar e votar - o voto não é obrigatório no país. Muitos foram para as filas já às 4h da manhã, duas horas antes de abertos os locais de votação.
Às 12h, milhares continuavam nas filas. “Estou aqui desde as cinco da manhã”, disse Lídia de Perez, no Colégio San José, reduto de oposição em Caracas. A seu lado, pessoas esperavam em cadeiras portáteis, lendo revistas.
Às 16h, com o encerramento oficial, as filas persistiam, e os que esperavam fora começaram a gritar: “Queremos votar!”. Parte da culpa era de máquinas eletrônicas que não funcionavam ou davam comprovantes em branco. Outra parte grande reside no complicado sistema de votação venezuelano, pensado para um país em que ambos os lados do espectro político se acusam de fraude eleitoral. São sete etapas.
Havia cerca de 1.200 observadores internacionais na Venezuela ontem, da União Européia, da Organização dos Estados Americanos, do Mercosul e da Fundação Carter. “Está tudo tranqüilo até agora”, concordou o uruguaio Juan Enrique Fisher, chefe da missão da OEA.
Chávez já falava como presidente reeleito. Disse que membros do governo entraram em contato com a oposição e elogiou os “bons sinais” que viriam dos EUA, pelas declarações que deu o subsecretário de Estado Thomas Shannon ao “El País”, ao afirmar que “o processo na Venezuela ocorre num contexto democrático”. “Queremos boas relações com todos, inclusive os EUA”, disse Chávez.