Internacional

Novo golpe contra Bush: embaixador americano diz que deixará posto na ONU

Folhapress
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Nova York - Quase um mês depois da vitória democrata no Congresso americano e da conseqüente demissão do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, o governo de George W. Bush sofreu ontem nova baixa: seu embaixador na Organização das Nações Unidas (ONU), John Bolton, anunciou que abandonará o posto em alguns dias. Seu substituto não havia sido anunciado até as 20h de ontem.

A indicação de Bolton começou controversa e nunca chegou a ser de fato ratificada pelo Congresso - mesmo sob a atual maioria republicana. A nomeação ocorreu por decreto no recesso legislativo, em agosto de 2005, e ainda precisava da aprovação do Senado. A designação só é válida durante a legislatura em curso. Para ser reconduzido, Bolton deveria ser confirmado pelo Congresso até o fim do ano. Diante do cenário, Bolton capitulou. A demissão foi aceita por Bush, que o recebeu na tarde de ontem na Casa Branca.

Neoconservador, Bolton era criticado até mesmo dentro do partido republicano. Já os democratas chegaram a defini-lo como um “tirano sem habilidades diplomáticas necessárias para assuntos internacionais”. “Há um ano, nomeei o embaixador Bolton porque sabia que ele representaria os valores da América e que seria capaz de enfrentar os difíceis problemas na ONU. Estou profundamente decepcionado com a decisão de um grupo de senadores dos EUA de impedir o embaixador Bolton de reunir os votos -prós ou contra- que ele merece no Senado”, disse Bush.

A declaração se refere ao senador republicano Lincoln Chafee, cujo voto era indispensável à confirmação de Bolton e que havia se declarado contrário à manutenção dele na ONU.

Numa última tentativa, o presidente enviara ao Senado, em 9 de novembro, a designação de Bolton, com a intenção de obter a confirmação até o início de janeiro, enquanto seu partido ainda fosse majoritário.

Conhecido por suas posições unilaterais, Bolton criou polêmica na ONU ao dizer que o Conselho de Segurança da organização deveria ter apenas um membro, os EUA. Era visto como persona non grata entre os colegas da ONU. À época da nomeação para a ONU, 102 ex-embaixadores americanos assinaram uma carta pedindo que senadores rejeitassem indicação.

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