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Brasil fechará 2006 com queda nas bilheterias dos cinemas

Por Mary Persia | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

As bilheterias dos cinemas brasileiros vão fechar 2006 no vermelho. As salas de exibição registraram queda de 7% no número de espectadores neste ano, até outubro, na comparação com 2005. O Brasil acompanha a tendência de baixa dos Estados Unidos, o maior mercado cinematográfico do mundo. Há ainda a crescente preferência pelo entretenimento em casa, a pouca oferta de “blockbusters” (grandes produções) e a pirataria. Mas a explicação não é tão simples assim, diz Paulo Sérgio Almeida, diretor da Filme B, empresa especializada no setor.

Também ajudam a puxar para baixo o faturamento das bilheterias a deficiência em infra-estrutura (90% dos municípios ainda não têm sala de cinema, segundo o IBGE), o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que deve ficar entre 2,8% e 2,9%, e instabilidade da produção nacional de filmes, que amargou uma queda de 17% na arrecadação nos cinemas.

“Neste ano, tivemos muitos títulos nacionais - ao todo, foram 67 -, mas poucos obtiveram um bom resultado e cerca de 80% tiveram menos de 100 mil espectadores”, afirma Almeida, que destaca ainda uma particularidade do mercado brasileiro: o Brasil tem média de uma sala de cinema para cada 100 mil habitantes, enquanto nos Estados Unidos há uma para 7.000 e, no México, uma a cada 30 mil.

Apenas duas produções nacionais bateram a marca de um milhão de espectadores: “Se Eu Fosse Você”, com 3.644.618 espectadores (faturamento de quase R$ 29 milhões) e “Didi - O Caçador de Tesouros”, com público de 1.111.719 (bilheteria de pouco mais de R$ 6,1 milhões). O topo do ranking geral é ocupado por um diretor brasileiro, mas numa produção internacional: “A Era do Gelo 2”, que acumulou 5.866.186 espectadores. Em seguida, vem a comédia estrelada por Tony Ramos e Glória Pires, estrelas da Globo.

Dois outros possíveis destaques para o fim do ano (mas com pequenas chances de ocupar as primeiras posições do ranking) são “007 - Cassino Royale” e “Xuxa Gêmeas”, ambos com estréia no dia 15 de dezembro.

Para o próximo ano, a expectativa é que haja um aumento de arrecadação nas bilheterias do país. Em 2007, estréiam títulos que são arrasa-quarteirões garantidos - todos seqüências. É o caso de “Homem-Aranha 3”, “Piratas do Caribe 3”, “Shrek 3” e “Harry Potter e a Ordem da Fênix”. “A tendência para 2007 é de grande melhora. Essas são franquias que dificilmente apresentarão surpresas, têm bilheterias bastante confirmadas nos últimos anos”, avalia Almeida.

Entre os títulos nacionais, Almeida aposta em “A Grande Família” para abrir a temporada de boas bilheterias. “Essa é uma grande promessa”, considera. “Antônia”, em fevereiro, e a comédia “Caixa Dois”, ainda sem data de estréia definida, também podem animar o público a sair de casa. Outra grande expectativa é “Cidade dos Homens”, longa baseado na série de TV, por sua vez “cria” de “Cidade de Deus”.

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