Apesar de ter chovido o dia inteiro, o nível de água do Rio Batalha - responsável pelo abastecimento de 40% das residências de Bauru - não voltou ao normal ontem. Na captação da Estação de Tratamento de Água (ETA), a lagoa do rio está com volume um metro abaixo do ideal. Segundo informações do diretor de produção e reservação de água do Departamento de Água e Esgoto (DAE), José Brazoloto, para normalizar o fornecimento por um tempo razoável, seriam necessários três dias de chuva regular.
As últimas semanas de novembro, com temperaturas constantemente superiores a 30º e céu azul, sem nuvens, contribuíram para a queda do nível de água do Batalha. Na lagoa da captação, que está com a comporta fechada, o nível normal é de 2,6 metros. Com um metro abaixo, bairros da zona sul tiveram o fornecimento prejudicado desde o final de semana.
Brazoloto ressalta que o DAE está trabalhando para normalizar a distribuição de água na cidade. “O longo período de estiagem e as altas temperaturas levaram a uma evaporação maior. Mas o DAE está se empenhando para minimizar o problema”, afirma. Enquanto o fornecimento ainda não está 100%, o diretor recomenda ao bauruense economizar água. “Mas não é necessário ficar armazenando em recipientes, porque uma hora, a água chega”, garante.
Na casa de Luiz Otávio de Oliveira Klein, no Jardim Cruzeiro do Sul, a água só começou a aparecer nas torneiras no início da noite de ontem. “Durante o final de semana foi assim: a água vinha só à noite”, conta. Para garantir um estoque durante o dia, a família guardou água até na banheira da casa. “Tem que existir alguma maneira urgente de garantir o fornecimento”, pede. O leitor Eurípedes Rosa da Silveira alerta que o problema no bairro onde mora, o Jardim Aeroporto, não começou neste período de estiagem. “Aqui sempre faltou. A água só vem à noite. Mas na última sexta-feira, nem assim ela chegou. Por isso, passamos o sábado sem água em casa”, conta.
De acordo com Brazoloto, no início da tarde de ontem começou a chover na cabeceira do rio Batalha, em Agudos, porém, o resultado da precipitação só será percebido em 24 horas. Segundo o site do Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Universidade Estadual Paulista (IPMet/Unesp), desde as 9h de ontem até o início da noite, havia chovido 9,7 milímetros em Bauru. Para elevar o nível da lagoa na captação da ETA, o diretor calcula que serão necessários três dias de chuvas regulares.
Mas aparentemente, o clima resolveu ajudar a cidade nessa semana. A previsão do IPMet é de tempo fechado até a próxima quinta-feira. Segundo a meteorologista Rita Cerqueira, ao contrário das últimas chuvas, que foram pancadas de verão isoladas, essa precipitação acontece em grande parte do Estado. “A chuva de hoje é generalizada. A previsão é que continue até a quinta-feira e pode ter pancadas mais fortes”, observa.
Esgoto
A chuva não trouxe apenas benefícios. Na casa de Davi Ferreira de Deus, no bairro Nova Paulista, um problema na rede fez com que a água do esgoto começasse a voltar pelo ralo de seu banheiro. “Ficamos apavorados em casa. Molhou tudo, apareceu baratas, foi horrível”, conta. Ele afirma que durante a tarde de ontem uma equipe do DAE apareceu para arrumar o problema. “Eles soltaram a tampa da caixa de esgoto na rua. Mas acho que na próxima chuva, vai acontecer de novo”, diz. Ele também pede que a prefeitura limpe as bocas de lobo próximas a sua casa, que estão cheias de mato.
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Carvão ativado
Três técnicos do Departamento de Água e Esgoto (DAE) foram para a Europa, no sábado, realizar um treinamento sobre tratamento de água por carvão ativado na Alemanha e na Suécia. A meta é tornar Bauru um centro de referência na tecnologia. Embarcaram as químicas Giselda Passos Giafferis e Márcia Domingues Zanata e o engenheiro Luís Fernando Rossi Leo, consultor que elaborou o projeto. De acordo com o presidente do DAE, José Clemente Rezende, o objetivo é treinamento técnico para qualificação, habilitação e capacitação dos profissionais da área, visando operacionalizar o novo sistema que vai modernizar o tratamento de água de Bauru.
Da Redação