Bairros

Bauru possui 11 áreas contaminadas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Dados da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) apontam que existem 11 áreas contaminadas em Bauru. Nas outras 34 cidades da região atendidas pela Cetesb, são mais 30 locais. A maioria, terrenos de postos de combustíveis. Em todo Estado são 1.664 pontos de poluição no solo. De acordo com Alcides Braga, gerente da companhia em Bauru, todos os pontos de contaminação da cidade já passam por processo de recuperação.

A relação da Cetesb calcula as áreas contaminadas até maio deste ano. De acordo com Braga, desde então, mais cinco novos casos foram registrados na região. Em Bauru a Cetesb registra áreas contaminadas no setor industrial, com três ocorrências; no comércio de combustíveis, que apresentou quatro áreas contaminadas; um acidente de vazamento de tanque e no terreno de três postos de combustível. Apresentam contaminação de solo áreas localizadas no Centro, Jardim Tangarás, Distrito Industrial, Chácara Bauruense, Vila Paulista, Vila Monlevade, Jardim Santana e Vila Falcão.

Desde que o levantamento começou a ser feito, o aumento de áreas contaminadas no Estado espanta. Em 2002 foram verificados 255 terrenos. Já o último levantamento apontou 1.664 pontos contaminados. Apesar disso, Braga ressalta que o aumento de 2005 para 2006 foi pequeno: apenas 68 novos casos. “A tendência é manter um patamar constante”, observa o diretor.

Braga explica que na maioria dos casos, que é a verificação de terrenos contaminados com hidrocarbonetos em postos de gasolina, a remediação consiste na retirada da porção da terra contaminada. “E os estabelecimentos de Bauru que apresentaram o problema já estão sob controle”, explica o diretor.

No setor de comércio, a contaminação ocorre nas distribuidoras de combustível. “Antigamente, a borra que sobrava na limpeza dos grandes tanques era enterrada, o que causou o dano”, explica Braga. Como o processo de descarte do resíduo foi modernizado, isso já não acontece, porém o solo ainda está sendo recuperado e as áreas, monitoradas pela Cetesb. No caso do acidente, a ferrovia Novoeste comunicou à Cetesb um vazamento de combustível no seu terreno.

No site da Cetesb (www.cetesb.sp.gov.br) estão disponibilizadas informações sobre cada uma das áreas contaminadas em todo o Estado. Os documentos mostram o tipo de material que causou o dano ambiental, o nome e endereço de todas as empresas envolvidas e as medidas que foram tomadas para sanar o problema. “Disponibilizamos todas as informações, a agência torna tudo isso público. E mantemos um controle rigoroso sobre a poluição”, garante Braga.

Chumbo

O caso mais complexo de contaminação continua sendo o do setor de metalurgia da fábrica de baterias Ajax, no Jardim Tangarás, há quatro anos.

De acordo com o relatório disponibilizado pela Cetesb, houve contaminação de solo, subsolo, águas subterrâneas, sedimentos e da fauna e flora da região. Mais grave que o dano ambiental, a contaminação da fábrica atingiu os moradores do Tangarás. Na época, 890 crianças do bairro foram avaliadas, das quais 314 apresentaram concentração elevada de chumbo no organismo.

Do grupo, 14 crianças tinham nível superior a 25 microgramas de chumbo por decilitro de sangue, o que é considerado de extrema gravidade pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Ainda este ano, as 314 crianças continuavam sendo acompanhadas por uma equipe médica multidisciplinar.

Braga conta que a empresa está seguindo todas as determinações da Cetesb para descontaminar a área. “É um processo demorado, que já passou pela fase de raspagem do solo, desativação das fontes secundárias, mas ainda vai levar tempo até ficar próximo aos níveis normais”, avalia.

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