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Pane no Cindacta-1 faz três aeroportos suspenderem partidas

Por Iuri Dantas, Eliane Cantanhêde, Andrea Michael e Humberto Medina | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - Uma pane inédita no sistema de rádio do Cindacta-1 (o centro de controle de tráfego aéreo sediado em Brasília) voltou a provocar ontem atrasos de vôos e tumultos nos aeroportos, principalmente na Capital, em São Paulo e no Rio. No começo da noite, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que determinou às empresas aéreas a suspensão de todos os vôos com origem nos aeroportos de Brasília (DF), Congonhas (SP) e Confins (MG) a partir das 19h30 de ontem, exceto aqueles da ponte aérea Rio-São Paulo.

A Anac recomendou aos passageiros que tiveram vôo cancelado ontem que procurassem hoje a companhia aérea para verificar quando poderão embarcar. A expectativa da agência reguladora é que situação esteja normalizada a partir da manhã de hoje. A medida adotada ontem teve como objetivo liberar os aeroportos para receberem os vôos em atraso.

No início da noite de ontem, o aeroporto de Congonhas já estava lotado e havia atrasos de até seis horas e, por volta das 20h, o serviço de som do aeroporto informava que não havia previsão de embarque. A Anac também autorizou o aeroporto de Congonhas a funcionar durante a madrugada para pousos de vôos com atraso. A restrição determinada pela agência valia somente para decolagens. Devido à localização, esse aeroporto funciona normalmente até 23h30.

O Comando da Aeronáutica não descarta a possibilidade de sabotagem e determinou a abertura de sindicância com participação da Polícia Federal (PF) para fazer varreduras e tentar identificar as causas. A depender do resultado da sindicância, de 30 dias, é possível a instauração de um novo Inquérito Policial Militar. O equipamento atingido é italiano, com seis anos de uso, e a pane ocorreu justamente em meio a uma crise entre os controladores de vôo e a Aeronáutica, aberta pelo acidente com o Boeing da Gol que matou 154 pessoas em 29 de setembro.

Sabotagem

O novo comandante do Cindacta-1, coronel aviador Carlos de Aquino, no cargo há três semanas, deu entrevista em que primeiro refutou a possibilidade de sabotagem e depois foi menos categórico: “Hoje, eu refuto. No entanto, posso chegar lá na frente e ser desmentido pela sindicância”, declarou. Os problemas começaram por volta das 9h, quando 7 das 20 freqüências de rádio do Cindacta-1 pararam de funcionar e os controladores de tráfego aéreo em Brasília perderam contato por rádio com aviões que voavam na órbita do sistema por cerca de 15 minutos.

Foram então identificadas falhas na central de áudio, com “um zumbido muito estranho”, como foi descrito à Folha por um oficial. Esses primeiros problemas foram considerados resolvidos rapidamente. Não estavam. Por volta das 13h, recomeçaram e, desta vez, os controladores perderam todas as 20 freqüências de rádio.

Por segurança, o controle central de Brasília acionou controles periféricos e todos os aviões que estavam no ar na região controlada pelo Cindacta-1 foram orientados a pousar. Todas as decolagens foram suspensas, com exceção da ponte aérea RJ-SP, que é controlada por um sistema próprio, e de São Paulo para o Sul, atendida pelo controle de Curitiba.

Os tumultos nos aeroportos começaram em outubro, com uma “operação-padrão” dos controladores, prosseguiram por questões climáticas e chegaram a padrões caóticos com as chuvas de anteontem, especialmente em São Paulo. A pane da central de áudio de Brasília agrava o problema e as suspeitas sobre a segurança do sistema de controle de tráfego aéreo no Brasil. Aprofunda, também, o clima de beligerância entre o Comando da Aeronáutica e os controladores. Desde o início da crise, já caíram tanto o comandante do Cindacta-1 quanto o do próprio Departamento de Controle do Espaço Aéreo, ao qual é vinculado (Decea). A sindicância aberta ontem também não é a primeira.

A Aeronáutica já havia iniciado um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta de controladores militares durante a operação-padrão, que teve características apontadas como sindicais e reivindicatórias - proibidas para a categoria.

Aquino informou que o problema de ontem foi numa sala à qual os controladores não têm acesso, só os técnicos de manutenção - que também são sargentos especialistas. Ou seja: na hipótese de sabotagem -ainda mera suposição que depende de investigação -, a Aeronáutica não descarta que os técnicos estejam aderindo ao movimento dos controladores. Aquino, porém, foi taxativo ao negar tal possibilidade: “Confio nos meus homens e no trabalho deles”.

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