São Paulo - A Justiça de Taubaté concedeu liberdade provisória ontem à mulher presa sob acusação de matar a filha de um ano e três meses colocando cocaína em sua mamadeira. O juiz Marco Antônio Montemor acatou o pedido do advogado de defesa da presa porque o laudo definitivo para a presença de cocaína deu negativo.
A mulher havia sido presa porque os médicos que atenderam a menina chamaram a Polícia Civil. Eles encontraram um pó branco na língua e na garganta da criança e desconfiaram da substância. Os exames preliminares realizados pela polícia apontaram que o pó era cocaína. O magistrado considerou que não havia motivos para manter a mãe da criança presa. Para ele são necessários outros laudos para provar que a mulher matou a filha. Segundo a Polícia Civil, um laudo anatomopatológico deve ficar pronto em 30 dias.
O exame, que analisa as vísceras, deve apontar qual substância matou a criança. Ontem, o promotor João Carlos de Camargo Maia, que denunciou a mulher por homicídio qualificado, afirmou que não pediria sua liberdade porque a prisão não ocorrera somente por causa do laudo da cocaína e sim por indícios de maus tratos à menina. Maia acredita que o laudo anátomopatológico ainda pode apresentar a presença de alguma substância tóxica que pode ter causado a morte da garota.
A mulher acusada de envenenar a filha foi espancada pelas companheiras de cela dois dias depois da prisão. A polícia afirmou que as detentas agrediram a presa porque souberam da acusação pela morte da filha. A Delegacia Seccional de Taubaté informou que uma presa foi indiciada por lesão corporal culposa. A acusada teve a mandíbula quebrada com as agressões e chegou a ficar internada em UTI.
No mesmo mês da morte da filha, a mulher acusou um médico residente do Hospital Universitário de Taubaté de tê-la estuprado enquanto a menina recebia atendimento. O caso está sendo investigado. A mulher estava presa na penitenciária feminina de Tremembé e foi libertada às 17h30 de ontem.