São Paulo - Pela primeira vez desde que foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição, o ex-governador Geraldo Alckmin criticou abertamente o presidente petista e disse que o PSDB precisa aprender a “ser mais solidário”. Os principais alvos de Alckmin ontem foram a coalização de partidos proposta por Lula e o fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano, o que fez com que o mercado reduzisse sua projeção de crescimento para o País neste ano.
“Coalização se faz em torno de um projeto, e não vejo isso agora. Ele (Lula) tem mostrado mais o objetivo de perpetuar a CPMF (o imposto do cheque) e a Desvinculação dos Recursos da União (DRU) do que qualquer outra coisa”, disse ontem. Sobre o PIB, Alckmin disse que está elaborando um estudo a respeito das taxas de crescimento de todos os presidentes da história do País.
“Estou analisando 108 anos e 26 governos. Um dos piores desempenhos é o atual”, disse o ex-governador, que centrou sua campanha na necessidade do tema. Ninho tucano Alckmin afirmou não ver necessidade de “refundação” do PSDB. Para ele, o partido “precisa melhorar sua solidariedade e se preparar para vencer a próxima eleição”. Durante a campanha presidencial, o ex-governador ficou isolado em diversos Estados. Seus aliados reclamaram ainda de uma suposta falta de empenho dos governadores eleitos Aécio Neves (Minas Gerais) e José Serra (São Paulo).
A campanha terminou com dívidas que beiram R$ 18 milhões, segundo a prestação de contas entregue pelo partido. Quanto ao papel do PSDB no segundo mandato de Lula, Alckmin disse que o partido deverá “fiscalizar” a gestão petista, mas sem se recusar a votar o que “for bom para o Brasil”. Ele também criticou Lula pelo petista ter pedido à oposição uma trégua até 2010. “Ser oposição é tão patriótico quanto ser governo”, disse. Sem cargo, Alckmin tem despachado no Instituto Teotônio Vilela (ITV).