Pesca & Lazer

História de pescador: Louco por pescaria


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Já na minha infância, na minha querida cidade de Avaí, com meus 7 anos de idade, freqüentava os rios da cidade, pescando lambari. Lembro-me junto com outras crianças, quase todos os dias pescando, logo após íamos nadar e depois retornávamos a nossas casas.

A pescaria sempre foi o meu maior lazer, e hoje eu tenho a felicidade de já ter participado de inúmeras pescarias por nosso imenso Brasil.

Nesse mês de outubro estava marcada uma pescaria no Mato Grosso do Sul, lá em Aquidauana, no meu rancho, localizado no pesqueiro “Toca da Onça”, junto com meu companheiro “Pardal”, de Avaí; tratamos a saída para a madrugada do dia 11 de outubro.

No dia 9 de outubro, quando providenciava as compras, sofri um acidente de moto, indo parar no Pronto-socorro, onde fui medicado e, segundo o médico que me atendeu, não houve fraturas, receitando-me antiinflamatórios. Na ocasião, além das “raladas”, meu tornozelo estava doendo e inchado.

Mesmo doendo e com a dificuldade para andar, resolvi ir assim mesmo pescar. Saímos de Avaí durante a madrugada e chegamos no pesqueiro de tarde, que estava completamente lotado devido ao feriado de Nossa Senhora Aparecida e pela informação de que estava subindo uma grande “cabeceira” de pacu.

Logo após descarregarmos a “traia”, encontramos o “Urubu”, profissional morador da área e nosso amigo, o qual confirmou a notícia da subida dos peixes, ocasião em que o convidei para pescar conosco tendo em vista que eu não tinha condições físicas para isso. Enquanto os dois amigos meus partiram então para a pesca, fiquei arrumando as coisas e fazendo o jantar.

Na manhã seguinte, com a chegada dos companheiros que foram ver os anzóis armados, notei que meus machucados tinham infeccionado e estava com uma dolorida “íngua”, ocasionada talvez pela famosa lingüiça de porco-do-mato do jantar.

Diante do fato, contei aos meus amigos o ocorrido e, a partir daquele instante, fiquei repousando e me medicando; enquanto isso, o Pardal e o Urubu se divertiam pescando os pacus que estavam de passagem pelo local.

Na segunda-feira, avisei ao Pardal que iríamos embora na madrugada, pois os meus machucados estavam se agravando, justo no dia em que a famosa “cabeceira de pacus” passava pelo local. Nunca vi tanto peixe na minha vida, mas ainda assim partimos para casa.

Durante a volta, sentindo muita dor ao dirigir e ao pisar na embreagem, paramos na cidade de Ribas do Rio Pardo para procurar auxílio médico. A dor já era então insuportável que fui medicado em uma farmácia, onde me deram um analgésico para aliviar a dor.

Ao prosseguir a viagem, quase nos chocamos com outro veículo se não fosse pelo grito do Pardal. Nesse momento, o analgésico fazia com que eu instintivamente “apagasse”, aí o sofrimento maior! A cada 20 minutos rodados, uma parada para molhar o rosto com água gelada, até que felizmente conseguimos chegar.

Já em Bauru, em minha residência, comecei a me tratar melhor e marquei consulta para o dia seguinte com um ortopedista. Na consulta, ao me examinar e ao ver meu raio X, o doutor Fabrício constatou que eu havia fraturado o perônio e de imediato me internou, operou-me e hoje estou em recuperação na minha casa.

Parece mentira de pescador, foram dez dias com a perna quebrada na beira do rio. Minha esposa e meus amigos se surpreenderam e me chamaram de “louco” - eu concordo com eles. Sou louco, mas por pescaria!

Sergio Andrade Moreira é pescador e contador de histórias

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