A Folha de S. Paulo trouxe no dia 2 deste mês um artigo do Carlos Heitor Cony tratando deste assunto e objeto de várias reportagens acontecidas em Bauru. Transcrevo abaixo parte do artigo:
"Vigarista, todos nós sabemos, vem do conto-do-vigário ancestral, a lábia do sujeito que empulha o outro com uma história complicada e fantástica e dela tira vantagens.
Embora na prática possa até ser um assassino ou um ladrão, o vigarista não chega a ser um criminoso. É apenas um espertalhão, um cara dotado de imaginação, lábia, coragem e sorte para desfechar o golpe. O ladrão ou o assassino típicos sabem que apelarão para a violência na fase final de suas ações.
O vigarista, em princípio, tem horror à violência, é um pacifista. Ele procura tirar a sua vantagem à custa de palavras e gestos, no que se parece com qualquer político, pregador ou moralista. Sua matéria-prima é o bem comum ou o bem do próximo, embora, depois de seu beneficiamento particular, essa matéria-prima termine em dolo para os outros e em lucro para o vigarista.
O exemplo clássico para essa prática seria o próprio conto do paco, ou seja, do pacote de dinheiro que é oferecido ao incauto. Ou do bilhete de loteria premiado. O vigarista modela a realidade, cria em cima do fato, é um ilusionista, um escravo da fantasia e do sonho."
Agora, vem a pergunta: Quem será o vigarista? O aplicador do golpe ou a “vítima”?
Pelo se depreende dos casos relatados, a maioria deles, a “vítima” entra no conto com o desejo de obter uma vantagem, para ele considerada como lícita e com o desejo de ganhar uma vantagem pecuniária. Vai daí que o aplicador do golpe, usando sua imaginação e o seu modo de convencimento, consegue induzir o outro a “entrar na sua”.
Portanto, ambos são vigaristas. Eu me lembro de um caso em que uma mulher caiu no conto do bilhete premiado, porém, quando deu por si, começou a gritar que tinha sido assaltada. Para sua felicidade, a Polícia Militar prendeu o indivíduo e ele foi encaminhado para a Delegacia. Durante o trajeto, tentou subornar o PM que o conduzia e foi também indiciado por tentativa de suborno. Este se deu mal.
A verdade é uma só. Ninguém deve acreditar em ganho fácil. Desconfiar sempre destes vigaristas e chamar a polícia antes para não chorar depois do caso acontecido.
O autor, Eurides Monteiro da Silva, é economista, ex-diretor da Faculdade de Economia de Bauru, coronel da reserva da PM