A informação de que houve negociação e venda de matéria institucional do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru para o jornal Atalho deve levar envolvidos no caso ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP). A jornalista Inês Ferreira, proprietária do Atalho, já procurou a entidade para acionar a Comissão de Ética da entidade contra jornalistas e veículos que a teriam difamado ao comentar o caso.
O diretor do sindicato Alcimir do Carmo confirmou que foi procurado por Inês Ferreira para questionar se poderia acionar a Comissão de Ética do sindicato contra alguns jornalistas que não estariam dando espaço para que ela se manifeste. “Não tenho acompanhado o caso, mas pelo que a Inês me falou, não há nada contra ela e a CEI deve chamá-la como testemunha, e ela está se dizendo vítima de achincalhe. Ela reclama do comportamento de alguns colegas e se solicitar que o sindicato encaminhe as denúncias contra esses jornalistas, o sindicato vai analisar e possivelmente encaminhar à Comissão de Ética”, destacou.
Por outro lado, o vereador Primo Mangialardo, relator da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga possíveis irregularidades na Secretaria das Administrações Regionais (Sear) e em gastos de publicidade no DAE, disse que as declarações da jornalista Inês Ferreira, de que usava o jornal como “instrumento de um grupo político”, podem levar os vereadores a entrar com representação no SJSP. “O órgão de imprensa deve ser imparcial, a partir do momento que a jornalista utiliza esse veículo para promover um grupo político ou falar bem da administração, fere essa imparcialidade”, frisou.
Contudo, Mangialardo destacou que não cabe à CEI tomar essa atitude, mas algum vereador deve fazer a representação. “A função da CEI é outra, e ela não pode se desviar dessa função, por isso não vamos entrar na questão da jornalista”, afirmou.
Ação
Já a jornalista Inês Ferreira preferiu não falar sobre o assunto e indicou que seu advogado, Almyr Basílio, estaria preparando nota para distribuir à imprensa. O Jornal da Cidade contatou Basílio, que afirmou estar preparando uma ação contra pessoas que teriam caluniado sua cliente.
Sem citar nomes, o advogado ressaltou que as investigações nem começaram e já promoveram ofensas à honra da jornalista. “É um absurdo. A fita não foi para a perícia, não houve transcrição, e já começaram ofensas e xingamentos, então a gente está preparando uma ação penal contra os agressores, para que respondam judicialmente por calúnia, injúria e difamação”, disse.
O advogado também afirmou que vai esperar a transcrição da fita para se manifestar. Segundo ele, não é possível falar nada “com base em boatos”. “Estão querendo desviar a atenção das falcatruas com notas fiscais, para uma jornalista de um jornal que não dá lucro e tem distribuição gratuita”, salientou.
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Sem documentos
Até ontem, a Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga possíveis irregularidades na Secretaria das Administrações Regionais (Sear) e em gastos de publicidade no Departamento de Água e Esgoto (DAE) não tinha recebido os documentos solicitados à Prefeitura, referentes à Sear.
Os vereadores solicitaram, entre outras coisas, cópias das notas adulteradas, cheques, além de relação de prestadores de serviços. O prazo para entrega de documentos terminou terça-feira.
O presidente da CEI, Paulo Madureira (PP), disse que vai conversar hoje com os membros da comissão para decidir qual será o procedimento a ser tomado. Existe a possibilidade da CEI dar um prazo menor para que a Prefeitura se manifeste. “Vamos conversar e ver o melhor caminho”, disse.
Até o momento, apenas os documentos relativos ao caso do DAE foram encaminhados à CEI.