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Hospitais e MP decidem fazer mutirão para consultar 15 mil na fila de espera

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Durante reunião realizada ontem no Ministério Público (MP), dirigentes da Saúde de Bauru firmaram um plano de ação para tentar acabar com a fila de espera por consultas a especialistas na rede pública. Para realizar os 15.158 atendimentos que formam essa demanda reprimida, as entidades pretendem organizar mutirões de consultas. A meta estabelecida ontem pelo Hospital Estadual (HE), Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Secretaria Municipal de Saúde, Conselho Regional de Medicina (CRM), Conselho Municipal de Saúde, Direção Regional de Saúde (DIR-10) e Ministério Público, é que a fila esteja zerada no mais tardar em abril de 2007.

Para chegar a um número real da demanda por atendimento, a DIR-10 analisou um vasto material enviado pela Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com diretora técnica da DIR-10, Shirley Alonso Mendes, o trabalho verificou a existência de 19.825 consultas pendentes. Desse total, 2.237 já foram agendadas. Do restante, 15.158 pessoas serão atendidas nos mutirões. “A previsão é que o processo leve de três a quatro meses”, calcula Mendes.

A maioria das consultas atrasadas é para ortopedia. Ela corresponde a 30% da demanda reprimida. Mas a fila é para todas as especialidades. Maria Nicéia Santos de Paula é uma das 1.483 pessoas que esperam atendimento de um neurologista. Moradora da Vila Dutra, ela aguarda uma consulta desde fevereiro. “Tem que ter paciência e esperar. Fazer o que?”, conforma-se. Como até ontem não teve nenhum retorno sobre o pedido de consulta para o especialista, ela está esperançosa com o mutirão. “Eu fiquei animada. Conheço muita gente que também está esperando. Acho que agora eu passo por um médico”, diz.

Para conseguir atender a essa quantidade de pacientes, o HE estuda convidar alunos da residência do curso de medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para realizar os mutirões, previstos para serem aos sábados.

Reinaldo Rocha, superintendente da AHB, afirma que já para dezembro aumentou em mais 1.200 consultas em diversas especialidades a capacidade da entidade. Sobre o mutirão, ele revela que espera começar ainda em dezembro o agendamento das consultas para oftalmologia. “Vamos abrir uma agenda à parte para isso. Esperamos até o dia 30 de março, no mais tardar, estarmos com a fila zerada”, revela.

Há um ano promovendo as reuniões com as entidades da Saúde, o promotor da Cidadania Fernando Masseli Helene, afirma estar satisfeito com o trabalho realizado pelo grupo até agora. “A informatização do setor, a compra de equipamentos, o pacto de encaminhamento de internações do Pronto-Socorro Central, foram feitos e a problemática foi ficando estreita até o patamar que podemos dizer que já é possível ver um fim para ela”, revela.

A resolução tomada ontem foi documentada pela Promotoria, mas não é um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

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Faltosos

Rosemary Lopes de Moura, membro do Conselho Municipal de Saúde, aponta que o percentual de usuários do SUS que faltam às consultas é cerca de 30%. Ela avalia que esses faltosos acabam prejudicando o restante do atendimento, mas ressalta que muitas vezes, a culpa não é do usuário. “O município também não oferece condições para esse paciente chegar à consulta. Outras vezes, o médico não aparece e o paciente é dado como faltoso”, explica.

Moura aponta que após a luta para equacionar o problema da demanda reprimida por consultas em Bauru, a meta é discutir a fila de espera para exames, que ela calcula em 10 mil solicitações. Outros problemas evidenciados pela conselheira, é a déficit de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e a elaboração de nova grade salarial para médicos em Bauru. “A melhora dos salários dos médicos foi uma promessa do prefeito e estamos esperando há dois anos”, conta.

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