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Ex-assessor de Mercadante se complica

Por Gabriela Guerreiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O depoimento do delegado da Polícia Federal (PF) Diógenes Curado para a CPI dos Sanguessugas ontem complicou o ex-assessor do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) Hamilton Lacerda com o caso do dossiegate. Lacerda é acusado de participar da tentativa de compra de um suposto dossiê antitucano por integrantes do PT.

Em sessão secreta, o delegado disse à CPI que Lacerda pode ter usado um celular “frio” - em nome de Ana Paula Cardoso Vieira - durante a negociação do dossiê contra o PSDB, como publicado ontem em reportagem da "Folha de S.Paulo". “Ao que tudo indica, ele clonou o celular, mas nega. O Hamilton estava no hotel Íbis para negociar a compra do dossiê no mesmo horário e ao mesmo tempo em que o celular da Ana Paula era usado. Portanto, cai a versão dele de que não usou telefone clonado na operação. É a primeira brecha do dique, da armação e do cinismo nessa história”, afirmou o vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, Raul Jungmann (MD-PE).

Jungmann disse que a versão apresentada à comissão pelos “aloprados” sobre a compra do dossiê antitucano foi parcialmente desmontada pelo delegado. Para ele, a versão apresentada por todos os envolvidos na compra do dossiê antitucano foi arquitetada em conjunto para isentá-los de envolvimento no episódio. “Cai por terra o que já sabíamos se tratar de uma armação”, afirmou. Todos os acusados de envolvimento na compra do dossiê antitucano - Gedimar Passos, Valdebran Padilha, Expedito Veloso e Jorge Lorenzetti - admitiram à CPI as negociações para a compra do dossiê, mas negaram saber a origem do dinheiro usado na negociação.

A PF suspeita que Hamilton seja o chamado “homem da mala”: quem levou o dinheiro (R$ 1,7 milhão) para o hotel Íbis, onde estavam hospedados Gedimar Passos e Valdebran Padilha. O dinheiro seria usado na compra do dossiê antitucano. Gedimar trabalhava no núcleo de inteligência do comitê de campanha do PT e Valdebran seria o elo entre o partido e o empresário Luiz Antônio Vedoin - o vendedor do suposto dossiê.

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