Brasília - O presidente da Agência Nacional da Aviação (Anac), Milton Zuanazzi, afirmou ontem que até hoje a situação dos aeroportos deve estar normalizada. Zuanazzi condenou o “clima de terror” que, segundo ele, coloca em suspeição a segurança dos vôos. Os problemas começaram anteontem, quando uma pane cortou a comunicação entre os controladores do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-1), em Brasília, e os aviões.
A falha causou atrasos em um efeito bola-de-neve nos aeroportos do País. Segundo Zuanazzi, os problemas só ocorreram porque há excesso de segurança no controle do tráfego aéreo. Ele observou que tão logo se identificou a falha do equipamento que controla a radiofreqüência de contato das torres com os pilotos, os vôos foram cancelados para se evitar acidentes. “Os brasileiros não precisam ter medo de voar”, disse.
Segundo o presidente da Anac, a situação deve começar a se normalizar na tarde desta quarta porque há muitos vôos represados. Ele comparou o problema a uma enchente: quando a chuva pára, o nível da água continua alto. “A partir de hoje os vôos começam a sair no horário normal”, afirmou. Zuanazzi admitiu que há pontos cegos no espaço aéreo, mas disse que são apenas dois ou três e que não colocam em risco a segurança da aviação brasileira. Ele disse que nos oceanos existem vários pontos escuros fora do alcance dos radares e nem por isso há riscos de se sobrevoar estas áreas.
Pane
O comandante do Cindacta-1, coronel-aviador Carlos Vuyk de Aquino, explicou que o problema foi causado por uma falha na ligação entre os sistemas ativo e reserva de freqüências de rádio. Os dois operam juntos, totalizando 20 faixas diferentes. Com o defeito, houve redução na capacidade de comunicação para 13, afirmou. A falha nos equipamentos dificultou o contato entre os controladores e as aeronaves, já que havia menos freqüências para o mesmo número de aviões.
Crise
Desde o final de outubro, os passageiros têm enfrentado constantes atrasos nos principais aeroportos do País. Inicialmente, os atrasos foram causados pela chamada operação-padrão dos controladores de tráfego aéreo, que, de forma isolada, decidiram aumentar o espaçamento entre as decolagens.
O objetivo seria garantir a segurança dos vôos, após o acidente com o Boeing da Gol, que causou a morte dos 154 ocupantes. O resultado do movimento foi uma seqüência de atrasos e cancelamentos de vôos. O setor entrou em colapso na madrugada do último dia 2 de novembro, feriado de Finados.