Brasília - O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que a Casa Legislativa vai instalar comissão com cinco senadores para acompanhar a crise no setor aéreo brasileiro. Segundo Renan, o Senado tem que colaborar com o governo federal na solução do caos instalado nos principais aeroportos do país. “Essa crise como está não pode continuar, o país está em pânico. O Senado quer colaborar com soluções”, disse. Renan afirmou que vai conversar com integrantes do governo federal para discutir a crise.
O presidente do Senado disse que a pane no sistema de comunicação do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-1), em Brasília, impediu a presença de vários parlamentares no Congresso nesta quarta-feira. “Estamos com dificuldades para votar, alguns senadores não conseguiram chegar”, afirmou.
Renan evitou, no entanto, especular sobre a possibilidade do ministro Waldir Pires (Defesa) deixar o governo após a recente crise aérea. “Eu sempre procuro manter uma relação independente, mas harmoniosa, com os outros poderes”, encerrou. Câmara O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), saiu, ontem, em defesa do ministro da Defesa, Waldir Pires.
Segundo Aldo, o ministro está preparado para enfrentar a crise do setor aéreo, considerada a pior da história do país. “Waldir Pires não é só capaz, mas tem longa experiência política e está à altura de enfrentar esse desafio (da crise)”, disse. Também nesta quarta surgiram rumores de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria se irritado com a atuação de Pires nesta última crise do setor aéreo, deflagrada anteontem por uma falha nas freqüências de rádio do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo.
O problema deixou controladores sem comunicação com pilotos e chegou a suspender decolagens nos aeroportos de Confins, Brasília e Congonhas. Nesta quarta, passageiros ainda enfrentam atrasos nos principais aeroportos do país. Acidente A comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização do Senado também encaminhou ontem convite aos dois pilotos do jato Legacy, Joseph Lepore e Jan Paladino, para participarem de audiência pública a ser realizada hoje.
Segundo o senador Leomar Quintanilha (PC do B-TO), presidente da comissão, os pilotos terão a oportunidade de apresentar ao Senado e à sociedade brasileira a versão deles sobre o acidente do vôo 1907 da Gol, o maior da aviação do país.