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Indústria reage, mas não salva o PIB

Por Pedro Soares | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - Depois do tombo de setembro (-1,1%), a indústria se recuperou com as encomendas de final de ano, e a produção cresceu 0,8% em outubro na comparação livre de influências sazonais com setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ante outubro de 2006, a expansão foi de 4,8%, a maior desde março nesse tipo de comparação. No período de janeiro a outubro de 2006, a indústria acumulou um crescimento de 2,9%.

A julgar pelos resultados de outubro, que ficaram abaixo das previsões (alta de em torno de 1,5%), especialistas projetam um crescimento tanto do setor industrial como do PIB abaixo de 3% neste ano. “Os dados de outubro solidificam a nossa previsão de que, apesar da aceleração do nível de atividade no quarto trimestre, o crescimento de 2,7% do PIB será um teto”, disse Sérgio Vale, economista da MB Associados.

Para a indústria, ele espera uma expansão de 2,9% em 2006. Anteontem, o Ipea revisou para baixo sua projeção para o PIB - de 3,3% para 2,8%. Segundo Vale, os primeiros indicadores disponíveis de novembro, como a fabricação veículos, não apontam uma forte recuperação. Ainda assim, o economista estima um crescimento do PIB de 1,3% no quatro trimestre - no terceiro, a alta ficou em 0,5%. Em outubro, o desempenho da indústria foi impulsionado pelas encomendas de final de ano do varejo, diz o IBGE. Prova disso é o bom desempenho dos bens de consumo final - alta de 3,2% de duráveis e de 0,4% de não-duráveis ante setembro.

A fabricação de bens intermediários e bens de capital, por sua vez, registrou queda - 0,2% e -1,6%. “Tal cenário faz todo o sentido com a proximidade do final de ano (quando crescem as vendas de produtos finais) e com o indicador de vendas da indústria, que teve uma taxa muito expressiva. Isso indica que a indústria não está fazendo estoques, o que é positivo, já que está conseguindo escoar sua produção”, disse Sílvio Sales, chefe da Coordenação de Indústria do IBGE.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), as vendas industriais subiram 1,69% em outubro. Caso se confirme, diz Sales, o quadro traçado aponta um 2007 favorável, já que a indústria terá de ampliar a produção para atender os pedidos do comércio para recompor estoques desovados no Natal. Entre os setores de bens duráveis, destaca-se o de veículos, cujo crescimento de 6,2% foi puxado pelo mercado interno, segundo o IBGE.

Parte do incremento se deve ao final da greve de algumas montadoras. Efeito câmbio Na opinião de Solange Srour, economista-chefe da Mellon Global Investments, o câmbio represou a produção industrial deste ano. “Eu atribuo o fraco desempenho obviamente ao câmbio, pois todos os outros fatores são positivos, como a queda dos juros e o crescimento do crédito e da massa salarial.”

Para Sílvio Sales, do IBGE, o desempenho da indústria neste ano é afetado não somente pelo câmbio valorizado (que reduz exportações e estimula a substituição por importados) mas também pela alta taxa de desemprego e pelos juros ainda elevados, embora em trajetória declinante.

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