Internacional

Governador de La Paz é feito refém

Folhapress
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La Paz - Um grupo de colonos indígenas tomou como refém o governador do departamento de La Paz, José Luis Paredes, na localidade cocaleira de Caranavi, a cerca de 120 km da Capital. De acordo com um porta-voz do governo de La Paz, os camponeses querem que o governador faça uma greve de fome em apoio ao sistema de votação na Assembléia Constituinte defendido pelo MAS (Movimento ao Socialismo), do presidente Evo Morales, que prevê a aprovação dos artigos constitucionais por maioria simples.

Em protesto contra esse sistema, a oposição convocou uma greve de fome que já conta com a adesão de 600 pessoas, entre elas 31 parlamentares, os governadores dos departamentos de Beni, Santa Cruz, Beni e Tarija e outras autoridades. A oposição quer que a aprovação de todos os artigos seja por maioria de dois terços, conforme previsto na Lei de Convocatória aprovada pelo Congresso em março.

Em entrevista à rádio Erbol, o governador disse ter sido detido pelos participantes de um encontro da Federação de Colonizadores de Caranavi, para o qual tinha sido convidado. O líder do grupo, Rosengo Vargas, confirmou o seqüestro e disse que foi “uma decisão dos companheiros’’.

Segundo Paredes, os colonos “decidiram começar uma greve de fome e resolveram que eu tinha de ficar’’. “É um seqüestro porque não posso sair’’, afirmou. Mas um outro participante do grupo negou. “Ele não foi seqüestrado. Não somos animais’’, declarou Sinforiano Cusi.

O incidente marca o aumento da tensão política no país em torno da Assembléia Constituinte e ocorre às vésperas da reunião de cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), que começa hoje em Cochabamba. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará presente.

Ontem, o presidente Morales disse que a greve de fome comandada pela oposição é uma “conspiração da direita fascista’’ contra seu governo e uma tentativa de boicotar a cúpula. “Durante esses dez meses de governo (vivi) de conspiração em conspiração, que vêm da direita fascista’’, afirmou Morales em entrevista coletiva.

Segundo Morales, o jejum é só uma “desculpa’’ porque “de fonte confidencial, sabemos que os governadores resolveram, pelo bem ou pelo mal, fazer fracassar a Assembléia Constituinte’’. Agora, disse, “querem também fazer fracassar a cúpula’’.

A Conferência Episcopal da Bolívia emitiu ontem comunicado instando governo e oposição a “despojar-se de posições egoístas e intransigentes’’ e lamentando episódio de anteontem, quando grevistas na igreja de San Francisco, em La Paz, foram atacados por supostos membros do MAS.

“Os acontecimentos da véspera colocaram em evidência um claro vazio de responsabilidade por parte de quem deveria velar pela segurança e pelo respeito aos direitos básicos das pessoas’’, diz a nota.

Também ontem, representantes das três principais etnias indígenas dos departamentos de Oriente, Chaco e Amazônia (oriente) divulgaram uma nota pedindo a separação do país. Para os indígenas guarayos, guaranis e chiquitanos, “chegou o momento de se levar adiante o processo de separação da Bolívia andina para dar lugar ao nascimento de uma pátria nova’’.

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