O novo aeroporto vai atender a vontade de muitas instituições bauruenses que queriam ver o complexo habilitado para o transporte de cargas. Basta, agora, ser definido o tipo de mercadoria que será recebida no local. O Departamento Aeroviário de São Paulo (Daesp) e a prefeitura ainda não fizeram esse estudo.
O empresário Mário Bevilácqua sempre foi um defensor dessa vocação para o terminal. Mas na opinião dele, o local deve receber apenas aeronaves para o transporte de cargas, e o antigo terminal ser mantido para atender somente passageiros.
“Devemos agregar valores à cidade e manter os dois aeroportos. O novo deve ser destinado para grandes aviões de carga, e o outro, para aeronaves de médio e pequeno portes, além de continuar com a escola de aviação. Não é fácil, é trabalhoso, mas vai ser o diferencial de Bauru para atrair investimentos”, comenta Bevilácqua.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico de Bauru, Walace Sampaio, o novo terminal será uma opção a Viracopos. Ele entende que o funcionamento não dependerá apenas de cargas geradas no município.
“Se pensarmos que toda a carga aérea do Estado é transportada para Viracopos hoje, Bauru será uma opção muito mais próxima para muitas cidades, além de ser muito mais interessante (economicamente) que Campinas”.
Tipo de carga
Sampaio ainda não tem nenhum estudo sobre o tipo de carga que poderá ser transportada no aeroporto. Entretanto, acredita que produtos eletroeletrônicos podem ser uma opção. “Pelo valor agregado, esse tipo de mercadoria suporta o preço do frete aeroviário, que é mais caro”, explica.
Jair Manfrinato, vice-diretor da Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e integrante do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) pensa diferente. Para ele, produtos do agronegócio, como verduras e frutas, seriam o tipo de carga mais indicada para ser transportada no terminal, inicialmente.
“É o que enxergo como mais viável economicamente. Tanto em Bauru quanto na região, a demanda desses produtos é muito grande. Claro, temos que checar os custos, mas deve haver viabilidade”, completa.
Manfrinato também acredita que o setor têxtil ofereça potencialidade para ser explorado no terminal de cargas, já que a região é forte nesse segmento. “Acredito que essa nova vocação (do aeroporto) vai estimular várias empresas a fazer seus investimentos aqui na região”.
Oportunidade
O empresário Sigheru Sato, dono de uma distribuidora de verduras em Bauru, acredita que a nova habilitação do aeroporto será uma oportunidade para retomar e ampliar suas relações comerciais fora do Estado de São Paulo. Ele também avalia que poderá ter uma sensível economia nos gastos com a logística se puder fazer a troca do transporte rodoviário pelo aéreo. As más condições das estradas, somadas às praças de pedágio, influenciam consideravelmente no ganho final, diz o empresário.
“Tenho propostas em Goiânia e Brasília, Estados que eu atendia antes, mas tive que parar porque as rodovias estão muito ruins. Encarece muito a logística”, comenta. “Se o novo aeroporto for viabilizado para cargas, pretendo voltar para esses Estados e até expandir para Tocantins e Porto Alegre, onde também tenho propostas”.
Sato ainda não fez nenhum estudo de custo, mas acredita que o transporte aéreo será mais viável economicamente que o rodoviário. Além do Estado de São Paulo, o empresário também distribui verduras em Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso. Todo o escoamento é feito através de rodovia.