O relator da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga possíveis irregularidades na Secretaria das Administrações Regionais (Sear) e em gastos de publicidade no DAE, vereador Primo Mangialardo (PV), disse que vai sugerir ao presidente da CEI, Paulo Madureira (PP), que solicite ao promotor de Cidadania e Defesa do Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, permissão para acompanhar os depoimentos dos envolvidos no caso da Sear, que devem começar na próxima terça-feira, na Promotoria.
De acordo com o vereador, se for possível acompanhar no Ministério Público o que os envolvidos têm a dizer, os trabalhos da Comissão poderão ser adiantados. “Vou fazer a sugestão na reunião de terça-feira. Se pudermos acompanhar os depoimentos no Ministério Público, vai facilitar bastante, aí só precisaremos chamar os envolvidos se ficar alguma questão pendente”, disse Mangialardo.
O relator da CEI também confirmou o recebimento dos documentos solicitados à Prefeitura sobre as irregularidades na Sear. Na avaliação do vereador, ainda faltam alguns papéis importantes para que a CEI possa apurar os fatos. Segundo ele, será necessário detalhar alguns documentos, que não foram entregues na totalidade. “Os cheques, por exemplo, vamos ter de pedir ao banco a microfilmagem deles, porque a Prefeitura só mandou cópia da parte da frente. Vamos pedir também os cartões de assinatura, para comparar”, salientou.
Mangialardo afirmou ter estranhado a relação de empresas fornecedoras da Sear. Segundo ele, constam várias empresas de informática e oficinas mecânicas. “Quero saber por que há tantas empresas de informática entre os fornecedores e tantas oficinas mecânicas também”, frisou.
O JC já revelou, há várias semanas, que a atual gestão, através do secretário em férias Nelson Fio, adotou como prática administrativa o contrário do que determinou o governo, desde o início de 2005: enquanto o Executivo tentava reduzir despesas e concentrar consertos pelos seus próprios setores, internos, a Sear decidiu procurar, sem regras, a iniciativa privada.
A opção por realizar serviços com oficinas de veículos e de informática de fora da prefeitura não contou com alguns cuidados básicos, como identificação correta e descrição completa do que foi consertado nas notas fiscais, identificação da viatura ou do equipamento próprio e até a entrega de pelo menos três orçamentos.
Sem esses cuidados, a Sear viu despesas com verbas de adiantamento, cujos valores não chegam a R$ 8 mil, sendo utilizadas sem que o secretário utilizasse seu próprio departamento de auditoria interno para corrigir falhas.
Enquanto a administração se debruça sobre notas fiscais, cheques e inúmeros documentos, e o prefeito se desgasta com explicações à opinião pública por problemas gerados pelo seu homem de confiança, Nelson Fio aguarda o final de suas férias, até o próximo dia 16, para decidir seu futuro no governo.
Inquéritos abertos
Além da CEI e do Ministério Público, a Polícia Civil também vai investigar as irregularidades nas Secretarias das Administrações Regionais (Sear) e de Bem-Estar Social (Sebes). De acordo com o delegado do 3o Distrito Policial Francisco Bromatti Filho, foram instaurados inquéritos policiais para apurar os dois casos.
Como os inquéritos foram distribuídos ontem, Bromatti não soube dizer quais delegados ficarão responsáveis pelos inquéritos, mas adiantou que na próxima semana devem começar os interrogatórios com os envolvidos nos casos. “Não deve demorar, até para que os inquéritos sejam rápidos, os depoimentos devem começar logo”, salientou.