Economia & Negócios

Anac força Pantanal a operar no novo aeroporto de Bauru

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Sem acordo com a Pantanal - empresa aérea que ainda opera no Aeroclube de Bauru - a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) decidiu tomar uma atitude mais severa para fazer com que ela transfira seus vôos para o novo aeroporto. O superintendente de infra-estrutura da Anac, Luiz Miyada, esteve ontem na cidade e disse que vai enviar um parecer aos membros da diretoria da agência pedindo que a Pantanal seja desautorizada a operar no antigo aeroporto. A medida passaria a valer nos primeiros dias do ano que vem.

“Logo no começo do mês, entre os dias 1 e 2 de janeiro, todos os vôos comerciais já devem ter sido transferidos para o Aeroporto Bauru-Arealva. Vou fazer essa recomendação à Anac”, afirmou Miyada.

Ontem de manhã, reuniram-se no novo aeroporto representantes da Anac, do Departamento Aeroviário de São Paulo (Daesp), das companhias aéreas Pantanal e Air Minas, Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Aeroclube de Bauru e da prefeitura, inclusive o prefeito Tuga Angerami (sem partido).

Desde que o novo aeroporto foi inaugurado, em outubro, a Pantanal vem resistindo a mudar-se para o local. A empresa alega que fez estudos que comprovam que o passageiro gastaria 25% a mais para deslocar-se ao novo aeroporto para viajar. “Só de transporte com táxi, o usuário gasta aproximadamente R$ 40,00. Além disso, demora em torno de 25 minutos para ir do Centro da cidade até o aeroporto novo. É muito tempo”, avalia o diretor técnico da Pantanal, Carlos Alberto Bourguignon.

Troca de farpas

Ele também afirmou que o complexo não oferece infra-estrutura para atender os passageiros. Em determinado momento da reunião, ele chamou o Aeroporto Bauru-Arealva de “elefante branco”, referindo-se a uma grande construção sem uso.

Neste momento, o prefeito pediu licença para rebater as críticas e acabou exaltando-se. “Por muitos anos, a Pantanal manteve o monopólio na cidade e cobrava R$ 800,00 de passagem para os usuários. Não diga que o aeroporto (Bauru-Arealva) é um elefante branco porque não é. Você é presunçoso”, enfatizou.

Bourguignon disse que surpreendeu-se com a atitude do prefeito. “Ele não deixou que eu terminasse a minha fala e até me agrediu verbalmente. Eu quis simplesmente dizer para ele que isso aqui é um elefante branco”, falou.

Também rebatendo as críticas, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, disse que ainda ontem uma lanchonete entraria em funcionamento no aeroporto novo. Além disso, o trevo de acesso pela rodovia Bauru-Arealva também seria finalizado ontem mesmo.

Em uma primeira tentativa, no mês passado, a Anac se reuniu com o Daesp e as duas companhias aéreas para tentar resolver o impasse. Na ocasião, a Pantanal afirmou que só mudaria para o novo aeroporto quando o restaurante e o ponto de táxi estivessem em pleno funcionamento.

Ontem, pelo menos metade dos taxistas já estava trabalhando no Aeroporto Bauru-Arealva. Os outros continuam no terminal antigo. “Por enquanto, estamos nos dois aeroportos para atender todos os passageiros. Com o aumento da demanda no novo aeroporto, os demais taxistas vão mudando aos poucos”, disse o taxista Douglas Antônio Giafferi Prado.

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