Bairros

Apatia da população é pior inimiga das lideranças comunitárias

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Certa vez, alguém disse que o poder torna as pessoas solitárias. Na visão de muitos líderes comunitários de Bauru, a afirmação é mais que verdadeira por avaliarem que não contam com apoio do poder público. Somado a isso, eles ainda são obrigados a lidar com a apatia crônica da população dos bairros.

Maria Pedrolina Alves Salles, 55 anos, é presidente da Associação dos Moradores do Jardim Ivone desde 2004. Ela já perdeu as contas de quantas vezes já tentou, sem sucesso, mobilizar os vizinhos em torno das carências da região.

“Outro dia, inclusive, propus que todo mundo fosse até a porta da prefeitura exigir a instalação de postes nas ruas. Daí, o pessoal chegou para mim e disse: ‘Dona Pedrolina, o passe do ônibus tá muito caro, será que não teria jeito de a senhora conseguir uma condução gratuita pra gente ir até lá?’”, conta, com uma certa dose de perplexidade na voz.

A apatia atinge moradores de outras partes da cidade também. No Jardim Solange (zona sudoeste de Bauru), reclamações e protestos costumam ficar por conta de Diva Dias, 67 anos, ex-presidente da associação dos moradores local (atualmente o cargo encontra-se vago). “Pois é, menino, ninguém quis assumir depois de mim”, diz, com uma ponta de tristeza na fala.

E não é para menos: afinal, Dias permaneceu durante 12 anos à frente da entidade. “Ano passado resolvi sair, para dar espaço aos mais novos. Só que, pelo visto, o pessoal não anda muito interessado nos problemas do bairro”, resigna-se.

Décio Onofre de Deus, 69 anos, enfrenta dificuldade semelhante. Há cerca de oito anos, ele ‘meio’ que herdou a presidência da associação dos moradores do Jardim Vânia Maria. “Eu era vice, só que o titular abandonou o cargo. Acabou sobrando para mim”, lembra.

Desde que assumiu, ele tem procurado meios para fazer com que os vizinhos participem mais ativamente da vida do bairro, mas a tentativa não vem rendendo grandes resultados. “O problema é que as pessoas não se preocupam com nada de importante. Para elas basta garantir o arroz com feijão do almoço e uma carninha para queimar no domingo que fica tudo perfeito. Enquanto isso, os espertalhões nadam de braçada”, diz.

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