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Universidades oferecem serviços de shopping

Por Daniela Tófoli | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Sala de videogame, salão de beleza, minishopping, laboratório clínico. Para atrair universitários, instituições particulares de São Paulo têm seguido o modelo norte-americano e investido cada vez mais em infra-estrutura. Há casos em que só faltam os alojamentos.

O campus do Senac em Santo Amaro (zona sul), por exemplo, que já tinha praça de alimentação e de serviços, como agência de viagem, inaugurou em setembro um complexo esportivo de 15 mil metros quadrados com três piscinas aquecidas, oito quadras, pista de cooper e academia. Os alunos pagam mensalidade de R$ 100,00, já que o serviço é terceirizado.

O uso da biblioteca, no entanto, é livre. É lá que estão, além de 140 mil títulos, uma DVDteca gratuita e as salas de videogame. Gabriel Nascimento, 23 anos, aluno de moda, tentava bater o recorde no jogo “Tartarugas Ninja’’. “Vim liberar o estresse da aula. Desconto aqui o que não posso falar para alguns professores’’, dizia. “Essa sala é um dos destaques da faculdade.’’

Depois do almoço, é comum ver vários deles dormindo nos sofás ligados à biblioteca. No campus da Metodista em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, os alunos podem fazer compras e até sair prontos para festas. Além de papelaria, livraria, locadora, bancos, lojas de celular e alimentação, há butiques e salão de beleza.

“Tem aluna que compra um vestido e sai pronta para a festa’’, conta a vendedora Thaís Rodrigues. No salão de beleza é difícil encontrar horário nos intervalos. “A gente não precisa sair da faculdade e acaba tendo mais tempo para fazer trabalhos, encontrar amigos’’, diz Paula Siviero, 20 anos, aluna do 3º ano de fisioterapia.

O campus Planalto da Metodista, em São Paulo, tem laboratório de análises clínicas. Na Uniban, há minishoppings com salão de beleza, livraria, lojas, banco, lanchonete, restaurante e academia terceirizada. A unidade da Vila Guilherme (zona norte) oferece a estrutura há dez anos. Talita Affonso, 25 anos, do 1º ano de educação física, às vezes mata a primeira aula para fazer exercícios na academia. “O horário é o mesmo.’’

Modelo dos EUA

Especialista em gestão e marketing educacional, Carlos Monteiro, consultor de mais de 300 instituições no País, diz que pelo menos 70% das universidades particulares têm, no mínimo, praça de alimentação e banco. “Quase não existe mais aquela faculdade só com cantina e sala de cópias. As instituições investem em infra-estrutura, porque a concorrência está muito grande. Como cursos e mensalidades nessas entidades são parecidos, serviços são o diferencial.’’

A inspiração vem dos EUA, onde é comum a faculdade ter essa estrutura. O objetivo, dizem gestores, é atrair alunos, fazer com que fiquem mais tempo no local e convivam com colegas de outras áreas.

Para educadores, as universidades precisam investir em estrutura, mas não podem deixar de lado a qualidade do corpo docente e do projeto pedagógico, oferecendo apenas serviços que podem ser encontrados em qualquer shopping.

“Universidade é para ensinar, não para ser shopping’’, diz Antônio Chizzotti, professor do Programa de Pós-graduação em Educação da Pontifício Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Claro que é preciso haver atividades que estimulem o convívio em grupo e a troca de idéia, mas há limite.’’

Coordenador do Núcleo de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade de Mogi das Cruzes, Adolfo Ignacio Calderón vê nova fase no cenário universitário. “É a partir da existência do amplo mercado que se desenham as tendências nas instituições’’, diz ele.

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