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Melhoria contínua


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Liderança despreparada

Recente pesquisa do Gallup mostra que dois terços dos funcionários que deixam seus empregos na verdade estão se demitindo de seus chefes e não das empresas (Você /S.A.– abril 2005). É lógico que cada caso é um caso e os dois lados da moeda devem ser analisados minuciosamente, entretanto, atuando há mais de 13 anos como consultor, constatei que realmente existem muitas pessoas despreparadas em cargos de liderança.

Nas pequenas e médias empresas, pouquíssimos foram promovidos a líder baseado em critérios profissionais. A maior parte foi por ser proprietário do negócio, herança de família, conhecimento técnico profundo, dedicação e politicagem e, infelizmente, o principal requisito, que é saber lidar com pessoas, geralmente não foi e não é priorizado. Uma ignorância empresarial arriscada, considerando que são as pessoas que formam a principal força ativa da empresa.

Como lidar com pessoas deveria ser aprendido em casa, na educação familiar, mas geralmente não é. De maneira geral, nossos pais copiaram nossos avós, que deixaram muito a desejar nesse tocante, com raríssimas exceções. Muitos deles não sabiam nem lidar com animais, tanto é que quase acabaram com todas as espécies da fauna. É compreensível, pois na época os estudos da psicologia davam os primeiros passos no País.

Se não bastasse essa carência, a liderança atual, de maneira geral, vive muito apressada. Não é fácil nos dias atuais administrar as variáveis provindas dos processos internos da empresa, dos clientes, dos concorrentes e do mercado em geral. É o poder sem tempo, criando ambientes frios. Antes de mais nada, o ser humano equilibrado quer e precisa do calor humano. Os que não valorizam o calor humano estão desequilibrados e não percebem, por que geralmente estão em estado de fixação mental. Com isso nada ouve, nada sente e nada vê além de seus objetivos.

Uma liderança preparada, consciente e equilibrada pratica pelo menos a empatia, que significa “colocar-se no lugar do outro”, visando melhor compreender os pensamentos do próximo, as suas palavras, as suas ações, os seus hábitos e o seu caráter. A empatia é um instrumento inteligente a favor da comunicação. Cria receptividade entre as pessoas, favorecendo melhorias nas relações interpessoais.

Como conseqüência, o ambiente fica propício à produtividade e à qualidade. Devido a esse descuido empresarial, o que mais me preocupa é o fato das empresas perderem talentos. Já não é fácil consegui-los nos dias atuais, agora imagine se o Brasil crescer seu PIB acima de 5% nos próximos anos. Com certeza as organizações com lideranças incompletas terão problemas sérios para obter e reter profissionais qualificados. Com isso o papel do líder passa a ter, cada vez mais, uma importância ainda maior.

Considerando o aumento das exigências interpessoais, excessos de informações e formas de gestão empresarial que provocam transparência, acredito que num curto espaço de tempo a liderança que não se aperfeiçoar em assuntos ligados à psicologia humana não sobreviverá.

Tudo está mudando. A mudança é contínua. Com o perfil da liderança ideal não poderia ser diferente.

Davison de Lucas é diretor da M. Davison & Associados, consultor organizacional e palestrante.

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