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Preocupação ambiental define compra

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A jornalista Katarini Miguel, 24 anos, e a administradora de empresas e bacharel em direito Luciana Martins Goto, 30 anos, são dois exemplos que se encaixam no perfil do consumidor do futuro traçado pela TNS InterScience.

Ambas têm formação superior, são solteiras, não têm muito tempo livre, são independentes financeiramente, têm o hábito de ler os rótulos das embalagens e estão preocupadas com a questão ambiental.

“É até doloroso quando eu vou ao mercado, porque eu não tenho muito tempo, mesmo assim fico lendo os rótulos das embalagens antes de comprar”, diz Katarini. Se o produto for reciclável e se o produtor respeitou o meio ambiente na hora de produzir é bem provável que passará a fazer parte da lista de preferidos de Katarini.

“Valorizo demais as empresas que possuem selo que ateste seu compromisso ambiental”, afirma ela. Quando precisa comprar palito de dente, Katarini observa, entre outros itens, se o produto foi extraído de uma área de reflorestamento. Com o papel higiênico é a mesma coisa.

A preocupação se estende também ao vestuário. Quando precisa comprar uma sandália, por exemplo, Katarini procura as que são feitas com borracha de pneu de caminhão. Quando precisa de uma bolsa, dá preferência àquelas que são produzidas com lona. Mas produtos como esses são difíceis de se achar. Além disso, nem sempre o preço ajuda. Normalmente, são mais caros do que seus similares.

A falta de tempo não impede que Luciana Martins Goto seja uma consumidora em potencial. Sempre em busca de coisas novas e diferentes, ela tem o costume de comentar suas descobertas com outras pessoas. Assim, “trabalha” a favor das marcas que lhe agradam e contra as que deixam a desejar. A influência sobre outros consumidores é uma das marcas dos “future shapers”, os consumidores do futuro.

Luciana conta que chegou a fazer tratamento para reduzir seu impulso consumista, mas não resolveu. “Eu gosto de comprar. Não importa o quê.” Por diversas vezes, chegou muito perto de estourar o orçamento pessoal por causa desse impulso, que ela considera uma doença.

Luciana diz que tem tanto prazer em comprar que sempre que a mãe precisa de alguma coisa quem compra é ela. “Minha mãe reclama porque assim ela não sai de casa. Geralmente, sou eu que faço as compras”, admite.

Um mês antes do Natal, Luciana já havia comprado todos os presentes para a família. “Às vezes, isso é ruim porque se precisar trocar não tem mais tempo”, comenta.

Na opinião do coordenador do curso de tecnologia e gestão de marketing da Faculdade Fênix Alessandro Paveloski, embora a pesquisa da TNS InterScience tenha sido realizada na cidade de São Paulo, reflete uma realidade vivida também nos grandes centros urbanos no Interior do Estado.

Segundo ele, a emancipação financeira da mulher tornou-a consumidora em potencial e merecedora de um tratamento diferenciado como vêm fazendo as montadoras de veículos e as concessionárias.

A importância da mulher nas decisões de consumo das famílias deve crescer ainda mais nos próximos anos. Com maior participação no mercado de trabalho, as mulheres tendem a influenciar cada vez mais na escolha de bens e serviços. Desta forma, vão ocupando um espaço que até então era reservado aos homens.

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