Macatuba - A manteiga clarificada, o iogurte e o queijo tipo tofu são alguns dos produtos fabricados com leite de búfala em Macatuba (a 46 quilômetros de Bauru) que serão introduzidos no mercado brasileiro a partir do ano que vem. As novidades vêm da fazenda Surubim, do criador Rui Alfredo de Bastos Freire Filho.
Freire Filho, cria búfalos desde 1989 e atualmente treina dois deles para o trabalho no campo. “É uma fatia nova no mercado brasileiro, em que a carne e a mussarela já estão bem consolidadas. Na Capital, há casas que trabalham com a carne há mais de 20 anos, como a Bassi, onde se encontra a famosa picanha de búfalo”, afirma Freire Filho.
Mas o criador de Macatuba não pretende entrar no mercado de mussarela, carne ou leite. “Estou montando um laticínio artesanal para fabricar novos produtos. Quero trabalhar com outra fatia do mercado. A manteiga clarificada, por exemplo, está sendo bem aceita nos Estados Unidos. É um dos principais produtos derivados do leite de búfala, especialmente porque livra o consumidor da gordura trans”, assegura.
De acordo com ele, os produtos fabricados a partir do leite de búfala são mais saudáveis do que aqueles confeccionados com leite de vaca, aposta o criador de Macatuba. “Tem mais proteínas, mais gordura, cálcio, fósforo e uma série de outras substâncias que o tornam mais saudável”, enumera.
Apesar de todas essas qualidades, Freire Filho lembra que durante muitos anos o leite de búfala no Brasil não teve seu valor reconhecido. “O búfalo quase desapareceu porque só se comercializava a carne e ainda assim para um mercado específico. O leite era misturado ao leite de vaca e não tinha valor de mercado. Foi uma criadora de Dourado, região de São Carlos, que abriu o mercado para a mussarela”, relembra.
Ele frisa que, no mercado brasileiro, 80% do leite de búfala é destinado à fabricação de mussarela. “Eu vou fabricar iogurte. Estou fazendo alguns testes. Nossa idéia não é fazer competição no mercado consolidado.”
Para Freire Filho, o mercado emergente possibilita a entrada de novos produtos. “Estamos trabalhando na forma de cooperativa e abrindo outras perspectivas de produção, o mesmo está acontecendo na Europa”, afirma.
Características
O búfalo é um animal que se adapta a praticamente todas as regiões do mundo, porque não tem restrição de ambiente, explica o criador de Macatuba. Por isso, é encontrado nas altas montanhas do Nepal, na Índia, no Egito, na Itália, entre outros lugares.
De acordo com ele, a popularidade do búfalo no mundo acontece, principalmente, porque ele se adapta muito bem em qualquer região e se alimenta da sobra da agricultura, possibilitando atividades integradas. “O animal aproveita o subproduto da agricultura. Em nossa região, ele se alimenta da ponta da cana, bastante disponível. Na índia ele é alimentado da sobra de arroz, trigo”, diz.
A lentidão do animal, somada ao seu porte, faz com que ele seja indicado para o trabalho no campo. “Na Índia, no Paquistão e em outros países, o búfalo trabalha no cultivo da terra. Ele é mais lento e não cansa o operador”, explica Freire Filho.
A criação do animal requer alguns cuidados específicos, explica o criador. “Como ele é muito forte e rústico, para criá-lo é necessário colocar cercas reforçadas. A criação está em expansão no Estado de São Paulo, especialmente no Vale do Ribeira”, afirma o criador de Macatuba.
No Brasil, os maiores criadores estão na região Norte. Na América Latina, o búfalo é criado em área de várzea. Ele tem uma articulação na pata que faz com que ele entre e saia facilmente do brejo”, aponta.
O animal foi introduzido na Venezuela para explorar a área de várzea, também. “A mesma coisa acontece na Ilha de Marajó, Pará, Amazônia, onde se tem muito pasto natural que o búfalo aproveita. Já no Nordeste brasileiro, estão os produtores que empregam tecnologia de ponta para a criação, enquanto o Estado de São Paulo é o mais organizado”, diz Freire Filho.