No dia 2 de dezembro de 2006, às 9h, aconteceu a assembléia geral extraordinária da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo (A.C.S.), na cidade de São Paulo, para a aprovação das alterações estatutárias determinadas pelo novo Código Civil, além da prorrogação do mandato da atual diretoria por mais 3 (três) anos, o que adia as próximas eleições que aconteceriam em janeiro de 2007, para janeiro de 2010.
Eram ônibus e vans chegando o tempo todo de várias cidades do Estado, bem como da própria capital. O dia tinha tudo para ser um exemplo de democracia, pois associados iriam escolher os destinos da entidade (compareceram aproximadamente 500 associados), isso se esses ônibus não tivessem sido fretados por diretores regionais e se após a assembléia não houvesse um churrasco pronto para ser servido aos associados passageiros dos ônibus, o que transformou aquela assembléia numa demonstração de autoritarismo e descaso com os verdadeiros interesses dos associados.
Com a vergonhosa aprovação do estatuto que agora está em vigor, o sr. Wilson de Moraes, presidente da A.C.S. por mais três anos pelo menos, adquiriu plenos poderes, inclusive para remanejar cargos de diretores regionais, ao seu bel prazer, o que o tornou uma espécie de “Pequeno Ditador”.
Durante as discussões, a palavra foi franqueada a vários assembleístas, que em sua grande maioria queria apenas que fosse suprimida do texto do novo estatuto a prorrogação do mandato da atual diretoria para que houvesse a realização das eleições programadas para o próximo mês, tendo assim o associado a oportunidade de escolher quem deverá conduzir os rumos da A.C.S. pelos próximos quatro anos.
Por conta das divergências, houve momentos de grande exaltação, aonde assembleístas quase chegaram às vias de fato; Merece destaque mesmo é a fala da diretora regional, sra. Fátima, de Ribeirão Preto, que além de apoiar a realização das eleições em janeiro, ainda fez denúncias e desafiou o presidente da A.C.S. a mostrar o quanto de verba foi transferido para a regional nos últimos anos, alegando que há muito tempo não recebe repasse de verba. Parabéns pela coragem, sra. Fátima.
Por fim, colocou-se em votação a aprovação do texto e, “democraticamente”, o presidente decidiu que aqueles que apoiassem a aprovação do estatuto assim como estava ficassem do lado esquerdo do auditório e aqueles que discordassem da prorrogação ficassem do lado direito. Ocorre que após a divisão, constatou-se que coincidentemente os favoráveis à prorrogação do mandato da atual diretoria por mais três anos eram justamente aqueles que se deslocaram graciosamente de suas cidades (com direito a churrasco) patrocinados pela A.C.S. Instituiu-se assim a “Pequena Ditadura da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo”.
Mas se animem amigos, que uma alínea esqueceram de alterar e, portanto, ainda há “brechas” no Estatuto Social que foi aprovado. O requerimento de exclusão do quadro de associados ainda é possível ser feito, pelo menos até a próxima “Assembléia Geral Democrática da Pequena Ditadura”.
-É questão de Ordem, senhor presidente!
-É questão de Ordem, senhor presidente!
Carlos Eduardo Salvador - Cabo PM Associado da A.C.S.