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Incêndio em clínica russa mata 45

Folhapress
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Moscou - O incêndio ocorrido ontem em uma clínica de desintoxicação de Moscou que matou 45 mulheres - 43 pacientes e duas funcionárias - foi criminoso, afirmaram autoridades russas. Além disso, o estabelecimento não cumpria as normas mínimas de segurança e houve negligência dos funcionários no episódio.

Considerando-se o número de vítimas, foi o pior incêndio a ocorrer na capital em décadas. O prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov, classificou o incidente de tragédia. “Não havia nada que pudesse dar início ao incêndio sozinho. Ele foi ou intencional para obter o prêmio do seguro ou ocorreu devido à negligência, pelo uso de materiais altamente inflamáveis”.

Já o chefe dos bombeiros da capital, Yuri Nenashev, disse haver 90% de certeza de que o incêndio foi criminoso. O que tem levado as autoridades a defenderem essa hipótese foi o local em que começou: em um armário de madeira na cozinha, ao final de um corredor no segundo andar.

Segundo a psicóloga da clínica, Olga Rudakova, a maior parte das pacientes era de mulheres portadoras do vírus HIV e com menos de 35 anos. Também havia várias pacientes com distúrbios psicológicos. “As luzes se apagaram e o pânico começou. Todo mundo poderia ter deixado o prédio, pois não havia nenhum paciente que não pudesse andar”, disse Rudakova.

Segundo o porta-voz do Ministério de Emergências, Yevgeny Bobylov, havia grades nas janelas - o que é irregular -, e os funcionários não as abriram, de modo a permitir a fuga das pacientes. Como resultado, as pessoas, ficaram presas em uma armadilha.

Os vidros das janelas estavam quebrados, mas as grandes permaneceram intactas, segundo afirmaram as equipes de emergência.

Além disso, disse Bobylov, a equipe do hospital só chamou os serviços de emergência 30 minutos após o incêndio ter começado. Isso permitiu que a fumaça se espalhasse, levando as pessoas à morte por inalação de fumaça. “A julgar pela posição dos corpos, as pessoas tentaram escapar, mas só havia uma saída de incêndio disponível”, afirmou o ministro interino de Emergências, Alexander Chupriyan.

Segundo ele, os funcionários não tomaram nenhuma medida para o resgate dos pacientes. “Quando se deram conta do incêndio, eles simplesmente deixaram o prédio”.

Chupriyan afirmou que, em março passado, já havia pedido à Justiça o fechamento do estabelecimento por violações à segurança - como grades nas janelas e escadarias -, mas, disse, que seu pedido foi negado. A Promotoria abriu investigação para analisar outras hipóteses para o episódio.

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