Cultura

‘Casa do Lago’ é para sentir, e não pensar

Por Diego Molina | Com Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Uma história sobre amantes que se encontram e se apaixonam em tempos diferentes. O que poderia ser apenas um conto de amor foi transformado em um belo romance essencialmente para ser sentido, e não analisado com a cabeça, ou “A Casa do Lago” acaba se transformando em uma trama fundamentalmente confusa.

O filme, que tem Keanu Reeves e Sandra Bullock como par romântico (reencontrando-se pela primeira vez nas telas depois de “Velocidade Máxima”), chega às locadoras após uma rápida passagem pelos cinemas da cidade. O diretor argentino Alejandro Agresti (“Valentin”) e o roteirista David Auburn (“A Prova”) adaptaram a história do romance sul-coreano “Il Mare”, de 2000.

Apesar de alguns diálogos demasiadamente óbvios, o filme é recheado de referências literárias e cinematográficas - naturais e bem sacadas, já que a trama tem seu foco justamente na solidão dos personagens, ilhados em seu trabalho, seus afazeres domésticos e, como todo solitário, em seus filmes, livros e músicas.

“A Casa do Lago” ganha muitos pontos, por outro lado, com a trilha sonora delicada de Rachel Portman, o design de produção de Nathan Crowley e da precisão elegante e suntuosa da fotografia de Alar Kivilo, que consegue captar precisamente como alguns lugares ficam imbuídos de sentimentos.

A casa do título é uma estrutura belíssima de vidro, construída especialmente para o filme, e a arquitetura de Chicago é um terceiro personagem numa espécie de triângulo amoroso de Reeves e Bullock com a cidade, tão importante para a história quanto para o relacionamento que os dois desenvolvem.

A idéia central do filme é uma metáfora das relações românticas: duas almas solitárias que vivem numa mesma casa em tempos diferentes, a uma distância de dois anos, começam a se comunicar através de cartas. A fantasia do pingue-pongue de mensagens trocadas pelos personagens não deixa momentos vazios, mas pede para não ser analisada com olhar real, ou o espectador só encontrará buracos do roteiro.

A médica Kate Forster (Bullock) parte para Chicago para trabalhar em um hospital e deixa sua casa de vidro no lago. Ela escreve uma carta para o próximo morador da casa, pedindo que sua correspondência seja remetida ao novo endereço. A pessoa que recebe o bilhete é Alex Wyler (Reeves), que se muda para a casa projetada anos atrás por seu pai. Perplexo com o pedido da doutora, ele responde a ela até descobrirem que ela vive em 2006, enquanto Alex mora na casa em 2004.

Apesar de forçar na idéia de que mulheres solteiras dedicadas à profissão são essencialmente tristes e solitárias, o filme é de Bullock, que transmite naturalmente a insatisfação de Kate sem exagerá-la. Já Reeves faz de seu Alex um arquiteto misterioso e difícil de compreender, o que o deixa em falta, pois seus trabalhos recentes mais interessantes têm sido filmes menores e que apostam mais em seu lado cômico.

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