Santiago - Violentos distúrbios explodiram ontem no Centro de Santiago quando detratores do ditador Augusto Pinochet celebravam sua morte, enfrentando a polícia diante do palácio presidencial de La Moneda.
As manifestações explodiram no momento em que a polícia tentou dissolver uma coluna de mais de mil manifestantes que avançava pela principal avenida de Santiago. A polícia utilizou o carro lança-jatos de água e gases lacrimogêneos para deter a multidão, que repeliu os ataques com pedras e garrafas.
O Chile tem se mostrado dividido entre “vivas ao herói” e a celebração alegre pela morte do ditador. “É carnaval, é carnaval, morreu o general”, gritavam eufóricos milhares de chilenos que se reuniram ontem na Praça Itália, em Santiago, para celebrar a morte do ditador Augusto Pinochet, com abraços, jorros de champanhe e gritos de alegria. Os refrões variavam entre os mais de 3 mil chilenos que seguravam bolas coloridas e cartazes e agitavam centenas de bandeiras.
Uma mulher, de cerca de 60 anos, segurava um cartaz com a inscrição “Direto para o inferno por ser assassino e ladrão”. No meio da multidão, havia também bandeiras com os rostos de Allende e do guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, de Cuba, do Brasil e da Venezuela.
Em outra parte da cidade, em frente ao Hospital Militar, os admiradores de Pinochet choravam sua morte. “Estou com muita pena. Morreu um grande homem, um herói”, disse entre soluços Lily Gómez, nas cercanias do Hospital Militar de Santiago, onde morreu Pinochet. Lily chora ao recordar que Pinochet foi o homem que salvou sua vida. “Por causa do general Pinochet estou viva. Ele salvou nosso país da pobreza”, acrescentou a mulher, enquanto limpava as lágrimas com um lenço. Lily faz parte de um grupo de 2 mil “pinochetistas”, em sua maioria mulheres idosas, que foram até o Hospital Militar após morte do ditador.