Regional

Raves: ‘Em Botucatu não’, diz delegado

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu – O delegado titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Botucatu, Paulo Buchignani, quer banir de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) as festas denominadas raves. “Aqui não vai ter mais. Já avisei o pessoal porque vamos prender”, adianta.

Esse foi o recado passado por Buchignani, na última sexta-feira, aos organizadores de uma festa rave realizada no último final de semana de novembro e que não tinha autorização – alvará –, segundo a polícia.

O saldo da festa foi a primeira apreensão de ecstasy na cidade, a prisão de um argentino por tráfico de entorpecentes e uma adolescente de 15 anos internada com overdose, na manhã do dia seguinte.

A estratégia de Buchignani é tentar impedir as raves clandestinas. Nas que obtiverem autorização do poder público, o delegado afirma que a atuação será de forma repressiva para prender e apreender drogas. “Não se pode generalizar porque muita gente vai porque gosta do tipo de festa e da música”, admite. No entanto, Buchignani salienta que não se pode fazer vista grossa. “A associação de raves com drogas é cada vez mais constante”, avalia.

A menina internada às pressas no Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Unesp de Botucatu ficou três dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Conforme Buchignani, a menor permaneceu na unidade hospitalar por uma semana e seus pais a levaram para casa. O delegado explica que nas roupas da menor foi encontrado meio comprimido de ecstasy.

Ela estava em uma chácara próxima ao Distrito de Rubião Júnior. Os policiais da Dise se infiltraram entre os aproximadamente 500 freqüentadores do evento e ficaram monitorando os suspeitos de estar vendendo drogas.

De acordo com o delegado, por volta das 2h foi feita a abordagem, quando o argentino jogou grande parte dos comprimidos no chão para se livrar do entorpecente. Chovia muito no local da festa e algumas pessoas pisotearam os comprimidos, que se misturaram ao barro. “Estava um lamaçal e as pessoas chutaram e pisaram”, detalha. No entanto, em poder do argentino detido foram apreendidos cinco comprimidos intactos e oito papelotes de cocaína.

O delegado relembra que por volta das 11h do dia seguinte, a menor de 15 anos entrou em processo de overdose. Ele ressalta que a metade de comprimido localizada nas roupas da menina tinha as mesmas características dos que foram localizados com o argentino. A menina reside em Avaré e o delegado quer ouvi-la em Botucatu. Mas não está descartado o depoimento da menor ser feito na cidade em que a adolescente reside. O delegado quer ouvi-la para tentar saber em que circunstâncias adquiriu a droga. Ele também aguarda um laudo para saber com exatidão que tipo de droga a menina consumiu. No entanto, Buchignani tem poucas esperanças de que a menor venha dar informações esclarecedoras. “Pelos informes que nós já recebemos, não vai clarear muito”, adianta.

Na última semana, o delegado ouviu os organizadores da festa, que coincidentemente são de Avaré. Sem dar muitos detalhes, o delegado informou ao JC que os promotores não tinham alvará para o evento.

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Ecstasy

Ecstasy não se encontra com a mesma facilidade que outros tipos de droga. O delegado Paulo Buchignani, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Botucatu, relembra que a droga sintética é destinada a um público freqüentador das raves e que tem um poder aquisitivo maior (classe média alta). No Brasil, as principais apreensões vêm acontecendo em cidades de médio a grande porte. No final do mês passado, deixou de ser novidade oficialmente em Botucatu com a prisão de um argentino.

Buchignani disse que não foi possível prender outras pessoas certamente envolvidas com a venda e distribuição do entorpecente porque o argentino resistiu. No meio de uma multidão, a reação do acusado representou risco para a segurança de todos. “Houve um entrevero, isso alarmou todo mundo e inviabilizou o prosseguimento da operação”, explica.

O delegado ressalta que a mesma estratégia que camufla pessoas individualmente ou organizadas para a venda de ecstasy e outros entorpecentes também é usada pela polícia que se infiltra nas festas. “É uma operação de alto risco porque não se pode usar arma porque você passa na portaria como freqüentador. Mas tínhamos outros policiais no apoio caso ocorresse algum problema mais grave”, explica.

O titular da Dise lembra que o delegado seccional de Botucatu, Tadeu Campos de Castro, estava sabendo da operação.

O delegado titular da Dise de Jaú, Euclides Francisco Salviato Júnior, explica que neste ano ainda não foi apreendido ecstasy. “No Interior, a gente não tem tido notícias de apreensões. Isso só mesmo na base de investigações”, salienta. Ele avalia que nas festas, quando há uma aglomeração, dificilmente se consegue uma apreensão.

Com confirmação, este ano ainda não houve apreensão da droga sintética em Jaú. No entanto, a Polícia Militar (PM) apreendeu com um homem, há duas semanas, um comprimido que foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Bauru. Conforme o delegado, os policiais militares apreenderam o comprimido na rua. “Pode ser ecstasy. Estava na carteira e ele não confirmou que era dele e disse que outra pessoa tinha dado para que guardasse”, explica.

O delegado seccional de Bauru, Doniseti José Pinezi, frisa que não tem registro de apreensão de ecstasy nas cidades da região.

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