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Deputado faz greve de fome na Câmara

Por Da Redação | Com Folhapress e AE
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Brasília - O deputado João Correia (PMDB-AC) iniciou ontem uma greve de fome no plenário da Câmara. Acusado de envolvimento com a máfia dos sanguessugas, o deputado disse que só irá deixar o plenário depois que seu processo for julgado pelo Conselho de Ética da Câmara.

Correia já pediu orientação à assessoria da Casa - que o autorizou a passar a noite no plenário. Ele disse que irá tomar apenas água até que sua reivindicação seja atendida. “Estou tentando me defender há 220 dias, desde quando meu nome foi citado na CPI dos Sanguessugas. Fui massacrado e não tenho competência para conviver com isso [sob suspeita]. Sou professor e tenho que tomar minha vida de volta”, afirmou.

O deputado foi acusado por Luiz Antônio Trevisan Vedoin, sócio da Planam, de ter recebido R$ 12 mil da empresa em troca de apresentar emenda para a compra de ambulâncias por prefeituras do Acre. O parlamentar nega qualquer vínculo com o esquema, mas admite que destinou três emendas para ambulâncias, sendo que uma delas beneficiou a Planam. “Não há nenhuma comprovação de que recebi dinheiro do esquema. Eu quero ser julgado. Não quero viver o resto dos meus dias sob suspeita”, insistiu.

Até agora, o Conselho de Ética julgou apenas o caso da deputada Celcita Pinheiro (PFL-MT), que foi absolvida. A tendência é que todos os demais sejam arquivados com o fim da legislatura, que oficialmente se encerra no dia 22 de dezembro. João Correia disse que espera que nos próximos 11 dias seu processo também seja julgado. Até lá, não vai comer nada. Ele pediu apenas para tomar um banho na Câmara, mas diante da informação de que talvez isso não fosse possível Correia afirmou: “Não tem problema, fico que nem gambá mesmo”.

O presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP) não foi encontrado para comentar o protesto. Segundo a assessoria da Câmara esta não é a primeira vez que parlamentares tomam medidas extremas no Congresso. O ex-deputado Siqueira Campos (PSDB-TO), na época parlamentar por Goiás, também fez greve de fome para conseguir aprovar seu projeto que criava o Estado de Tocantins. O episódio ocorreu na época da Constituinte, em 1985, e durou 98 horas.

Vedoin

O dono da Planam, Luiz Antônio Vedoin, reafirmou ontem, em depoimento à Polícia Federal (PF), que o empreiteiro Abel Pereira intermediou a liberação de recursos do Ministério da Saúde para o esquema sanguessuga na gestão do ex-ministro Barjas Negri, hoje prefeito de Piracicaba, no interior de São Paulo. Segundo Vedoin, o ex-prefeito de Icapuí (CE) José Airton Cirilo (PT) tomou o lugar de Pereira em 2003. O dono da Planam negou ainda qualquer contato com Negri.

“Até conhecer Abel, havia dificuldade em receber os valores referentes aos convênios com o Ministério da Saúde”, disse. Segundo Vedoin, o empresário recebia 6,5% sobre o valor liberado no ministério e tinha pedido que os depósitos fossem feitos em contas das empresas Kanguru Factoring Sociedade de Fomento, Datamicro Informática e Império Representações Turísticas. A PF espera os contratos sociais das empresas e os dados da quebra do sigilo bancário e fiscal do empresário.

No depoimento, Vedoin isentou o senador Aloizio Mercadante (PTSP) de envolvimento com a máfia e negou a versão de Pereira de que teria oferecido um dossiê com acusações contra ele.

Em várias ocasiões, Pereira negou ligação com a máfia. Ele disse que nunca recebeu propina, que não tem acesso ao ministério e que esteve lá “no máximo duas vezes”. Sobre os Vedoin, afirmou que, em 2002, discutiu com eles uma parceria na criação de vacas leiteiras, que “não vingou”.

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