Tribuna do Leitor

A grande dimensão do Velho Testamento Bíblico


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A compreensão ampla e apropriada de qualquer documentação, envolvendo legado, principalmente sob a forma de testamento, exige, da pessoa interessada, conhecimentos básicos, em especial de Direito; mas, no caso específico do Velho Testamento, torna-se imprescindível se conhecer também Religião, Educação e Filosofia, notadamente porque tais obras registram não somente os conflitos ocorridos no plano material entre culturas diferentes, em especial a egípcia e a hebraica; mas registra, acima de tudo, uma gama enorme de acontecimentos recheados de interferências espirituais que precisam ser vistos como parte de uma ampla e bem sucedida organização de natureza transcendental.

Quando se estuda o Velho Testamento com um certo desprendimento de amarras sectaristas, é possível perceber que há dezenas de séculos A.C., gênios da Espiritualidade Maior visavam, dentre os mais nobres objetivos propostos pela Pedagogia Divina a ser aplicada à atrasada humanidade terrena, o de impulsionar o progresso do povo hebreu para, ao mesmo tempo, colaborar com o povo egípcio que vivia chafurdado no politeísmo e no materialismo, exacerbados (Gn. 12, 10-20; 45, 8), para, em seguida, propiciar aos gênios da história os registros que serviriam para as inúmeras gerações vindouras.

É possível perceber que deveria fazer parte desse glorioso plano a implantação estratégica de um novo paradigma em termos de fé: a crença no Deus único capaz de expressar o amor incomensurável do Ser Onipotente (Gn. 12,7). Afinal, essa iniciação bem estudada visava impulsionar o movimento monoteísta de tal forma que pudesse ser concebido como sagrado em virtude de o Criador e seus Elevados Espíritos de Escol, encontrarem em Abraão o mensageiro digno, fiel e receptivo que iria ser o propulsor de uma grande nação de crentes, ou seja, uma legião de espíritos desbravadores que iriam enfrentar as mais duras e inimagináveis provações, pela frente, cujos registros maravilhosos serviriam para que pudéssemos compreender o fenômeno da globalização cultural por um outro prisma: o espiritual; e, que, viria sustentar a fé de milhões de seres que passariam por este planeta de provas, expiações e regenerações.

Pela notoriedade dos relatos bíblicos, vê-se que o Ser Onipotente, Onipresente e Onisciente soubesse das diferenças de natureza e aptidões de cada um dos seus filhos e, assim, permitiu que um poderoso Espírito saísse do Plano Espiritual e adentrasse, pela reencarnação, para ser no Plano Material, um dos filhos de Jacó (família hebréia), recebesse o nome de José, fosse vendido a egípcios, como escravo, pelos irmãos e, junto à elite política egípcia, agisse com os seus enormes poderes psíquicos, adivinhando os mais secretos sonhos do faraó sobre a seca que viria, ascendendo ao poder, precavendo a nação com grandes seleiros de mantimentos para, em seguida, reencontrar e dar guarida aos familiares que estavam famintos devido à seca (Ex, 41, 42 e 45).

Sem adentrar à complexa preparação do povo Judeu para receber o Messias – Jesus de Nazaré –, há um outro aspecto desse astronômico planejamento educacional que justifica plenamente se conceber esse legado como “imortal”: a libertação dos judeus da prática abominável da escravidão promovida pelos egípcios. Isto porque, como visto acima, desta feita se exigiu a “infiltração”, pelas vias da reencarnação, do líder, religioso e legislador: culto, fiel, destemido e astuto -Moisés “nascido das águas” - que fora acolhido, ainda pequenino, pela compaixão, altivez, sensibilidade espiritual e imorredouro exemplo da filha do faraó (Ex.2, 6-10).

José Quaglio - advogado, teólogo, pedagogo e licenciado em Filosofia

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