Regional

Região reunirá produtores rurais de 10 cidades em entreposto agrícola de Lins

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Lins - O Sindicato Rural de Lins (102 quilômetros de Bauru) e a prefeitura vão inaugurar amanhã a Central de Abastecimento do Oeste Paulista com a pretensão de incentivar a agricultura da região e comercializar produtos hortifrutigranjeiros no atacado.

A Central deverá atender todos os produtores da região de Lins, formada por pelo menos 10 municípios e irá permitir que vendam sua produção diretamente sem passar pelos atravessadores.

O novo entreposto comercial vai distribuir alimentos para os municípios de Pirajuí, Cafelândia, Promissão e Sabino, além de cidades como Guaimbê e Getulina.

O entreposto é resultado de uma parceria entre o sindicato, que cedeu um barracão de 800 metros quadrados e a administração municipal, que será responsável pela adaptação do local.

O barracão, localizado no Recinto de Exposições de Lins, terá 38 boxes, sendo que aproximadamente 30 deles já estão reservados. “Estamos indo seletivamente atrás de cada permissionário que atenda a um tipo de produto. Queremos cobrir toda a linha (de produtos)”, explica o secretário municipal de Desenvolvimento Sustentável, Israel Antônio Alfonso.

Segundo ele, está sendo feito um esforço para que os produtores das cidades vizinhas se agrupem em associações e cooperativas. A Cooperativa de Agricultores de Lins (Coalins) já garantiu vários boxes no novo entreposto e, segundo Alfonso, vai trazer os produtores de Lins e da região.

O secretário explica que também foi criada a Associação dos Horticultores para incentivar os pequenos proprietários a produzirem verduras orgânicas. “Criamos também uma associação dos apicultores da região que vão colocar produtos de mel”, avisa Alfonso.

De acordo com o secretário, o entreposto de Lins será um alternativa para os comerciantes da região, que contavam apenas com os entrepostos de Rio Preto, Bauru e São Paulo. “Essas alternativas não vão ser eliminadas porque eles podem levar algumas coisas de Lins e trazer outras desses lugares para cá”, comenta Alfonso.

Já estão em andamento as conversas com as redes de supermercados visando fornecer produtos hortifrutigranjeiros do entreposto para abastecer as filiais da região.

“Elas (as redes) vão comprar aqui para levar para as filiais. Já estamos conversando com elas, porque, inclusive, é uma alternativa para substituir a viagem deles a São Paulo. Em vez de ir buscar lá, vem buscar aqui mesmo”, diz.

O entreposto funcionará no sistema de condomínio e uma comissão de gerenciamento será formada para administrar o dinheiro proveniente do aluguel dos boxes e do pagamento referente à manutenção (vigilância, limpeza, etc).

“O que nós queremos mesmo é fortalecer os produtores rurais. Este é o grande esforço, que é possibilitar que a economia rural cresça. Essa é uma das opções (a venda direta) e incentivar o pessoal a produzir mais e a produzir determinados produtos que a região não tem”, comenta o secretário.

Toda a renda obtida com o aluguel dos boxes deverá ser revertida para a manutenção e a expansão do entreposto. A administração ficará a cargo da Coordenação Técnica e Administrativa, formada pelo coordenador municipal de política rural, Kazuhiro Nagumo. Vanderlei Hideki Vatanabe será o Executor.

“Nós estamos fazendo um esforço de organização produtiva. Nós organizamos a associação dos produtores e ao mesmo tempo criamos uma ponta de comercialização”, resume Alfonso, criticando, em seguida, o avanço excessivo da produção da cana-de-açúcar na região.

“O entreposto entra no incentivo à produção até como um instrumento para segurar o avanço da cana. Nós temos que conviver com ela, mas vamos conviver de maneira mais eqüitativa e uma das alternativas é essa, comercializar coisas diferentes”, conclui.

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