Bragança Paulista - O garoto Vinícius Faria de Oliveira, 5 anos, que foi amarrado, amordaçado e queimado dentro do carro de sua família em Bragança Paulista (83 quilômetros ao norte de São Paulo) na noite de domingo, morreu na manhã de ontem.
Com 90% do corpo queimado, o menino não resistiu aos ferimentos. Os pais dele, a comerciante Eliana Faria da Silva, 32 anos, e o mecânico Leandro Donizete de Oliveira, 31 anos, morreram no domingo carbonizados dentro do automóvel. Os dois acusados pelo crime foram presos.
Segundo a Polícia Civil, Luiz Fernando Pereira, 48 anos, detido na tarde de ontem, confessou ter cometido os assassinatos por ter sido reconhecido por Eliana e a gerente de sua loja - que também estava no carro - depois de roubar R$ 20 mil do estabelecimento. A polícia descobriu que Pereira trabalhava havia dez anos fazendo serviços elétricos na loja.
O outro acusado é o soldador Joabe Severino Ribeiro, 36 anos, preso na noite de anteontem. Casado e pai de dois filhos, ele também confessou os assassinatos, conforme a polícia. Vinícius morreu depois de permanecer cerca de 36 horas em estado grave na UTI do Hospital Universitário São Francisco, em Bragança. A gerente, que teve 70% do corpo queimado, continua internada em estado grave. Mesmo assim, conseguiu reconhecer por foto um dos acusados.
Invasão
A população reagiu com revolta. Um grupo de ao menos 300 pessoas invadiu a delegacia. A Polícia Militar conteve o tumulto com golpes de cassetete. Alguns manifestantes tentaram agarrar Ribeiro, mas ele foi escoltado pela polícia e deixou o local sob os gritos de “assassino”. A situação foi controlada.
Na tarde de ontem, segundo o delegado seccional de Bragança, Paulo Tucci, Ribeiro confessou os assassinatos. Na hora em que foi apresentado à imprensa, no entanto, voltou a negar o crime e disse que só falaria com seu advogado. Quando finalmente falaria com os repórteres, ele foi ofendido por cinegrafistas e deixou a sala da delegacia assustado.
Ele tem condenações por roubo e tentativa de latrocínio. Foi condenado em 1999 a oito anos e dez meses de prisão. Cumpriu um sexto da pena na penitenciária do Carandiru, em São Paulo, e foi libertado. Ribeiro apresentou queimaduras no braço esquerdo e no rosto. Ele alegou à polícia que se queimou no trabalho de soldador na oficia no fundo da casa. A polícia afirma que ele caiu em contradição quando disse que sempre usava máscara no trabalho e um avental de couro para evitar queimaduras.
Missa
Em seu último dia de vida, Vinícius foi à missa pela manhã, não quis ir a um churrasco de confraternização com os pais e passou o dia com um padrinho, conforme relato do tio dele, o policial Wilson Aparecido da Silva, 42 anos. “Ele faria seis anos no dia 19 de janeiro. Estava aprendendo a escrever. Escrevia o nome dos pais. Era um garoto divertido e gostava de jogar videogame”, disse o tio.
A avó do garoto, transtornada com as mortes, teve de ser internada à noite após sofrer um derrame. “Vinícius gostava muito de brincar e sua comida predileta era asa de frango e batata frita. A vida para mim acabou. Tudo o que ele sempre me pedia era que o carregasse no colo”, disse a babá Severina Maria da Silva, 44 anos, que cuidava do menino havia três anos.