Política

PSDB se reúne dividido por eleição

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

A eleição para presidente da Câmara Municipal de Bauru esquentou de vez na véspera da votação e promete ferver até amanhã, às 13 horas, data em que os vereadores escolhem em sessão aberta o sucessor de Toninho Garmes (PSDB), para comandar o poder pelos próximos dois anos. O próprio PSDB tem a chance de fazer o sucessor, mas a bancada formada por quatro parlamentares está dividida em torno das candidaturas de João Parreira e do pepebista Paulo Madureira.

A reunião que tenta buscar consenso será às 18h30, no escritório do deputado estadual Pedro Tobias. Enquanto isso, outro grupo, formado por cinco vereadores até agora posicionados como da ala “independente”, dá sinais de que também pode se dividir entre as duas candidaturas mais cogitadas até o momento.

Os tucanos pró-Parreira tentam convencer Marcelo Borges e Benedito Silva a votarem no colega, da legenda. Mas, de olho em 2008 desde já, Borges bateu forte em Parreira na reunião da última terça-feira e chamou o colega de tuguista, ouvindo, como réplica que ele, Borges, é quem aderiu ao grupo do PP, usando o partido de acordo com seu interesse pessoal, a eleição a prefeito.

O PSDB tenta definir se fecha questão em torno da candidatura de Parreira, ou se libera o voto dos vereadores, correndo o risco de perder a presidência da Câmara. A reunião foi solicitada pelo próprio Parreira, que, temendo não ter o apoio dos colegas de partido, preferiu pedir que os tucanos cumpram o que manda o estatuto do partido em casos assim, ou seja, os seis membros da executiva e os quatro vereadores votam para decidir como devem proceder os parlamentares na eleição de amanhã. Como o presidente do PSDB local, Caio Coube, está viajando e o vereador Benedito da Silva também é membro da Executiva, oito tucanos devem votar sobre a questão.

O atual presidente da Câmara, Toninho Garmes (PSDB), foi claro na reunião de anteontem. Ele deixou pontuado que vota no candidato do partido, seja ele quem for, e que condena a postura de se votar em candidatos de outra legenda e contra o próprio colega.

O vice-presidente do PSDB, Gilson Rodrigues de Lima, adiantou ao Jornal da Cidade que não deve convocar nenhum dos suplentes. Caso haja empate na votação, Lima deve dar a palavra final, substituindo o presidente Caio Coube. Como o deputado Pedro Tobias pode estar presente, Lima afirmou que a opinião dele deve pesar na decisão. “O Pedro é a liderança máxima do partido e é claro que vamos levar em consideração o que ele disser”, afirmou.

Racha ou junção?

Enquanto os tucanos tentam resolver suas diferenças, o grupo de cinco vereadores chamados “independentes” dá sinais de racha. Formado pelo três vereadores do PDT - Antônio Faria Neto, Futaro Sato e Salvador Afonso -, mais Majô Jandreice (PC do B) e Rodrigo Agostinho (PMDB), o grupo dos cinco se reuniu com todos os possíveis candidatos a presidente da Câmara, tentando encontrar um consenso. Mas não foi revelada a posição.

Nos bastidores, sabe-se que Rodrigo e Majô discutem uma posição conjunta, o mesmo sendo indicado pela bancada do PDT. Com o retorno de Clemente Rezende à Câmara, no lugar do suplente Faria Neto, a tendência é que o PDT vote fechado, com maiores chances para o tucano João Parreira, que tem colaborado com a administração municipal no Legislativo. A não ser que o mais novato na disputa, Clemente Rezende, resolva ser candidato.

Mas a hipótese do grupo de pedetistas, mais Majô e Rodrigo, lançarem candidato próprio parecia distante até ontem à noite. Rodrigo Agostinho é quem ainda acredita que haveria chance de um acordo entre eles. “Ainda não foi por terra, mas cada um está puxando a brasa para sua sardinha”, comentou.

Já o vereador Futaro Sato admitiu a falta de consenso e descartou qualquer possibilidade de lançar um candidato do grupo. Para ele, passou do tempo de definir uma candidatura. “Não dá mais tempo”, afirmou. Contudo, Sato nega que alguns já tenham definido seu voto. Segundo ele, vai depender dos próprios candidatos procurarem o grupo para tentar conquistar os votos. “Cada um tem que procurar o seu”, disse.

Entre as negociações, um dos temas não é assumido, até pela repercussão negativa que ele causa: a contratação do terceiro assessor. Mas este seria um dos pontos de divergência no grupo, já que Salvador Afonso afirmou que defende a medida há muito tempo. Ele foi além e disse, sem citar nomes, que há mais vereadores que querem o terceiro assessor.

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