De avião. Foi assim e, com forte esquema de escolta, que dois detentos que estavam na Penitenciária 2 de Bauru deixaram a cidade ontem à tarde com destino ao presídio federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná. O transporte aéreo, usado para detentos de alta periculosidade, tem um motivo: os dois estariam cumprindo pena por envolvimento na morte de um juiz no Espírito Santo, em 2003.
Até o fechamento desta edição, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) não havia informado os nomes dos detentos e por quais crimes estão presos. Porém, a informação de que são envolvidos na morte do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, que fazia parte do grupo contra o crime organizado do Espírito Santo, foi confirmada pela Secretaria de Justiça daquele Estado.
A operação mobilizou policiais federais e militares de Bauru e Cascavel, além de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), que fez o transporte dos presos. De acordo com o delegado Carlos Alberto Fazzio da Costa, titular da Delegacia da Polícia Federal (PF) em Bauru, a operação teria sido solicitada pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), com sede em Brasília.
Guarnições da PF e da Polícia Militar (PM) fizeram a escolta dos dois detentos da Penitenciária 2 de até o Aeroclube de Bauru, onde o avião da FAB aguardava a chegada dos presos para realizar a transferência. Dentro da aeronave, estaria mais um preso, que supostamente estaria vindo do Estado do Espírito Santo.
O avião decolou no final tarde e chegou em Cascavel por volta das 18h. No aeroporto da cidade, a mobilização policial foi grande, envolvendo também PF, PM e viaturas do Depen, que fizeram a escolta dos presos até Catanduvas, distante cerca de 45 quilômetros. O delegado da PF não informou os nomes dos dois detentos que estavam presos em Bauru. No entanto, ele confirmou que ambos eram perigosos e cumpriam pena por crimes como homicídio e assalto a bancos.
Segundo Fazzio, operações como a de ontem não são comuns, mas acontecem quando os detentos são transferidos para cidades muito distantes. “As cidades estão em Estados diferentes, isso inviabilizaria uma escolta terrestre”, explica. O juiz foi morto a tiros por dois homens de moto, na manhã do dia 24 de março de 2003, quando saía de uma academia no bairro Itapuã.