Punições rigorosas e fiscalizações constantes têm contribuído para estacionar a devastação da mata atlântica e das áreas de várzea no município de Bauru. Já o cerrado, sem nada que o proteja, continua a apresentar índices cada vez mais negativos. O ritmo do desmatamento da mata atlântica, que marcou décadas na região, vem diminuindo, apesar de ainda preocupar os órgãos ambientais. Enquanto essa vegetação e a mata ao redor dos rios registram até avanços tímidos em área, a falta de leis específicas para o cerrado acaba tirando dos agentes fiscalizadores uma importante ferramenta na luta contra o desmatamento.
Com o objetivo de reunir informações sobre a vegetação do Estado de São Paulo, foi criado o Sistema de Informações Florestais (Sisflor). Os dados são fornecidos pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento e por outras entidades, como Instituto de Pesquisas e Estudos Florestas (Ipef), Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Cooperativa Agrária de Cafeicultores do Sul de São Paulo (Casul), Centro de Assistência Técnica Integral (Cati), Associação dos Resinadores do Brasil (Aresb) e Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais (Deprn).
Os dados estão disponíveis no site www.sisflor. org.br, que será lançado oficialmente na terça-feira, em São Paulo. Na região de Bauru, as estatísticas sobre a vegetação dão conta que em 2005 existiam 12.479 hectares de cerrado, segundo informações do IEA. Em 2001, essa área correspondia a 14.828 hectares, o que revela redução da vegetação.
Em 1992, o cerrado cobria 30.778 hectares em Bauru e região, segundo números do Instituto Florestal (IF). Em 15 anos, a vegetação reduziu cerca de 60%. Já a mata atlântica, encontrada em restingas como às margens do rio Batalha, cobria 50.161 hectares em 1992, de acordo com o IF. Ano passado, o IEA calculou uma área de 39.138 hectares, uma redução de 22% no período.
Sem proteção legal, o cerrado de Bauru vai sumindo. O historiador Luciano Dias Pires lembra quando esse tipo de vegetação cobria toda a zona sul da cidade. “Do Bauru Atlético Clube para cima, era só mato. Não tinha nada. Era vegetação rasteira, onde armávamos arapuca para pegar rolinhas e pombas”, recorda.