Nacional

PF: pilotos do Legacy foram negligentes

Por Leonardo Souza e Hudson Corrêa | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A Polícia Federal (PF) concluiu que os pilotos do Legacy agiram com “negligência” no acidente com o avião da Gol, que resultou na morte de 154 pessoas, no dia 29 de setembro. Em relatório parcial enviado ontem à Justiça Federal em Sinop (MT), o delegado Ramon Almeida da Silva, responsável pelo inquérito, diz que Joseph Lepore e Jan Paul Paladino voaram por mais de 50 minutos com o transponder (que localiza a aeronave) desligado.

“Posso dar exemplo (sobre a negligência). Você está dirigindo um carro no final da tarde. Anoitece. E você não percebe que o farol está desligado. Aí você bate no poste. Tem comando que você tem de acompanhar”, afirmou ontem o superintendente da PF em Mato Grosso, Daniel Lorenz. No relatório parcial, o delegado afirma que a PF já dispõe da transcrição das conversas dos pilotos do Legacy gravadas na caixa-preta da aeronave.

De acordo com o documento, um diálogo registrado às 19h19 deixa claro que o transponder estava desligado. Mas o trecho não é reproduzido no relatório. Os pilotos foram indiciados na semana passada. De acordo com o texto, isso ocorreu sobretudo por terem voado com o transponder desligado por mais de 50 minutos. O avião ia de São José dos Campos para Manaus. Logo após passar por Brasília, a torre de controle perdeu o sinal do aparelho.

Somente dois minutos após o choque é que o sinal do transponder foi captado pelo radar. A PF confrontou o diálogo na cabine do Legacy com dados do centro de controle em Brasília. Após a colisão com o Boeing, um dos pilotos perguntou se o transponder estava ligado. Logo em seguida à pergunta, o centro de controle passou a registrar o Legacy no radar, apontando que o transponder fora ativado naquele momento.

A PF ressaltou que ainda não é possível saber se o equipamento foi desligado propositadamente ou por desatenção dos pilotos. De qualquer forma, seria um ato de negligência por ter permanecido desativado por tanto tempo. Controle de vôo O relatório informa também que o jatinho estava a uma altitude de 37 mil pés, enquanto o plano de vôo previa 36 mil pés.

Assim, o delegado disse que será preciso identificar se os pilotos teriam recebido dos centros de controle de tráfego aéreo autorização ou ordem para voar àquela altitude, em desacordo com o plano de vôo.

O delegado do inquérito não mencionou controladores de vôo no relatório, mas se referiu indiretamente à participação deles no acidente. Silva disse que seria preciso identificar condutas e aprofundar investigações ligadas a outros eventos para concluir o inquérito. Como exemplo, mencionou as determinações e autorizações de vôo que levaram as duas aeronaves a manter rotas em sentidos contrários e na mesma altitude.

O superintendente da PF disse que podem ocorrer “indiciamentos de mais pessoas”, mas não citou os controladores de vôo. A investigação, segundo Lorenz, será concluída no fim de janeiro.

Comentários

Comentários