Rio - O Brasil tinha, em 2004, 5.560 municípios, mas apenas dez cidades concentravam 25% do Produto Interno Bruto (PIB), revela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O fenômeno da concentração não se limita apenas às dez maiores economias municipais do País.
Os 68 maiores PIBs municipais correspondiam a 50% de toda a produção de bens e serviços do País. Vivia nesses municípios um terço da população do País. Em 2003, 71 cidades geravam 50% do PIB.
Mas as medidas que escancaram tal fenômeno de concentração não pararam por aí. Os 10% de cidades nas quais estão os maiores PIBs tinham economia 20 vezes maior do que os 50% de municípios de PIBs mais baixos. Existia no País um contingente de 3.103 municípios que geravam apenas 5% do PIB brasileiro. Em oposição a essa parcela, estavam São Paulo, Rio, Brasília, Manaus, Belo Horizonte, Campos dos Goytacazes, Curitiba, Macaé, Guarulhos e Duque de Caxias. Essas cidades, em ordem, representavam os dez maiores PIBs do País.
Na ponta oposta, estavam 1.295 cidades que correspondiam a apenas 1% do PIB do País - e 3,7% da população. São localidades como Oliveira de Fátima (TO), Ipueiras (TO), São Miguel da Baixa Grande (PI), onde estão os três menores PIBs do País e nas quais a economia é praticamente toda ligada à administração pública e às transferências oficiais de renda à população (como o Bolsa Família).
Quatro Estados centralizavam cidades com PIBs muito baixos: Minas Gerais (287), Tocantins (107), Piauí (173) e Paraíba (136). Do total, 654 municípios ficavam no Nordeste. Somente São Paulo agregava 9,1% do PIB brasileiro em 2004 - o percentual era um pouco maior em 2003 (9,4%). A economia paulistana somava R$ 160,638 bilhões, de um PIB total de R$ 1,7 trilhão em 2004. O Rio tinha participação de 4,2% na economia nacional. Brasília gerava 2,5% da renda nacional. Para Sheila Zani, gerente da pesquisa do PIB municipal, os dados revelam um “absurdo” processo de concentração do PIB, que é ainda mais forte quando se analisa separadamente a indústria. “A indústria é absurdamente concentrada. A agropecuária é a mais dispersa”, disse.
Na avaliação de Bráulio Borges, economista da LCA, está em curso no País um processo de desconcentração da produção, que migra especialmente para o interior e cidades do entorno das capitais. “É fato que houve uma desconcentração nos últimos anos, mas a economia brasileira ainda é muito concentrada. Não é possível dizer que temos uma economia homogênea.”
Há, segundo o IBGE, uma correlação muito grande entre a força da economia de uma cidade e a importância de sua indústria, com todo o encadeamento que o setor tem com os demais. Peso paulistano Entre as cidades líderes, São Paulo foi a que mais perdeu participação no PIB do país de 1999 a 2004 - de 11,6% para 9,1%. A Capital também era a cidade na qual se concentrava a fatia do PIB industrial -8,2% em 2004, contra 8,8% em 2003.
Na segunda posição, figurava Manaus, com peso de 2,8% no PIB da indústria. Campos dos Goytacazes (RJ), Macaé (RJ) e Manaus tiveram os ganhos mais expressivos de participação no PIB do País. Nos dois primeiros casos, o avanço ocorreu em razão do aumento da produção do petróleo e do preço do produto.
Em Manaus, o impacto positivo veio da indústria eletroeletrônica e de motocicletas. De 2003 para 2004, Porto Alegre caiu da 10.ª para a 13.ª posição. É que a Capital perde continuamente fábricas para as demais cidades da região metropolitana e para o Interior.
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Participação das Capitais cai
Rio - Os dados do IBGE revelam que o peso das capitais e regiões metropolitanas no PIB tem declinado nos últimos anos. Em 1999, as Capitais geravam 32% do PIB brasileiro. O percentual baixou para 28% em 2004. As demais cidades das regiões metropolitanas, por sua vez, ganharam terreno - de 22,1% para 22,7%. Porém, foram os municípios fora do eixo metropolitano que mais avançaram em peso no PIB do País - de 46% em 1999 para 49,4% em 2004.
O IBGE detectou ainda a importância relativa das capitais nas economias dos Estados. Com exceção de Salvador e de Florianópolis, todas as demais Capitais eram os principais pólos econômicos regionais. No Amazonas, a Capital Manaus correspondia a 83% de toda a geração de riqueza do Estado.
Em geral, a tônica era a seguinte em 2004: Estados mais pobres tinham maior dependência das Capitais, enquanto nas economias mais desenvolvidas tal situação se invertia. Era o caso do Rio Grande do Sul, onde a capital Porto Alegre corresponde a apenas 11% da produção de bens e serviços do Estado.
Em São Paulo, a Capital abocanhava 29% do PIB estadual. No Rio, o percentual era de 33%. Belo Horizonte gerou 15% da economia mineira em 2004. Considerando apenas as cidades que estão fora do entorno das Capitais, notava-se desconcentração rumo ao Interior: o peso das cidades do interior que correspondia ao menos a 0,5% do PIB cresceu de 5,3% em 1999 para 7,4% em 2004.
Folhapress