Nélson Ribeiro da Silva, o Fio, deve pedir exoneração da Secretaria das Administrações Regionais (Sear ) na próxima segunda-feira, conforme apurou o JC ontem. O prefeito Tuga Angerami (sem partido) já antecipou, em entrevistas, que iria manter o secretário em férias distante da função até o encerramento das investigações de possíveis irregularidades em despesas nas Regionais. Com o encerramento das férias de Fio e as faltas abonadas hoje, a alternativa seria sua exoneração no início da próxima semana.
O secretário em férias discutiu sua situação com o prefeito ontem à noite, em audiência no Gabinete do Palácio das Cerejeiras. Uma possibilidade seria o afastamento do secretário, medida que foi descartada pelo governo municipal por estender ainda mais a exposição de Fio e sem solucionar a questão.
Nélson Fio ficou em posição desconfortável após a descoberta de irregularidades por parte de funcionários na utilização de recursos de despesa-adiantamento, destinadas a compras e serviços de até R$ 8 mil, com a confirmação de pelo menos duas fraudes em saques de recursos públicos na conta da Sear.
O JC apurou ontem que a melhor saída discutida com o próprio secretário seria ele mesmo pedir exoneração. Com isso, o assessor de gabinete do prefeito Renato Caldas continuaria respondendo pela secretaria.
O governo não confirma, mas a medida mais defendida entre integrantes do primeiro escalão é a de que a Sear seja extinta após as investigações. A pasta já foi reduzida, com o fechamento de três Regionais Administrativas, no início do segundo semestre deste ano, exatamente quando o gabinete soube de denúncias de irregularidades.
A reestruturação desfigurou o papel da Sear e os serviços mais importantes da pasta, como operação tapa-buracos, foram para outras áreas, como Obras e Meio Ambiente (Semma).
As irregularidades na Sear estão em apuração no Ministério Público (MP), na Polícia Civil, em Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara e em procedimento também encaminhado à área criminal da Promotoria, além de auditoria interna aberta pelo próprio governo, sindicância administrativa e levantamento pelo Sindicato dos Contabilistas.
O prefeito Tuga Angerami tem repetido à imprensa que não tem intenção de tomar medida contra Fio durante a fase de apurações porque isso seria “julgá-lo antecipadamente culpado ou inocente”, isso no caso de demiti-lo, de um lado, e de reintegrá-lo ao governo, de outro. Mas, dentro do governo, é corrente que não há ambiente para a permanência de Fio. Ele foi um dos responsáveis pela articulação da candidatura de Tuga e organizador das relações do prefeito com movimentos populares.