Regional

Esgoto e chuvas provocam morte de peixe no rio Tietê

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Barra Bonita - Como tem se tornado comum nesta época do ano, peixes apareceram mortos no rio Tietê. Dessa vez, a mortandade ocorreu próximo à ponte Campos Salles e Praça Waldemar Lopes Ferraz, em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru).

O incidente ocorreu devido a vários fatores ambientais, que contribuem para a diminuição da oxigenação da água, sendo que os principais deles são as fortes chuvas e o acúmulo de esgoto não tratado despejado pelos municípios localizados nas margens do rio.

Os peixes apareceram mortos há cerca de nove dias e chamou a atenção da Organização Não Governamental (ONG) Mãe Natureza, que teria calculado em torno de 1,4 tonelada de peixe retiradas do rio em apenas dois dias.

O motivo da mortandade, segundo a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) e a própria ONG, está relacionado a fatores ambientais e climáticos como a poluição e as fortes chuvas, comuns nesta época.

“É conseqüencia do lançamento de esgoto somado a ação das chuvas que remove o lodo de fundo. No verão, época de muita luz e calor, tem o fenômeno da fotosíntese, onde existe a proliferação de algas com a associação de uma concentração grande de micro-nutrientes, que é proveniente também dos esgotos”, explica Alcides Tadeu Braga, gerente da Cetesb.

A informação é confirmada pela bióloga da ONG, Gisele Mondoni Marconato. “Algumas equipes que analisaram disseram que a abundância de chuva na cabeceira do rio Tietê provocou um revolvimento de toda a poluição, até do fundo do rio. Quando esta parte orgânica vem à tona, ela necessita de uma alta carga de oxigenação para ser decomposta e aí falta oxigênio para os peixes”, completa.

A solução para o problema, segundo Braga, só vai acontecer quando todos os municípios passarem a tratar seus esgotos domésticos antes de despejá-los no rio.

“O Estado está se empenhando de maneira significativa para as cidades tratem o esgoto. Temos como exemplo a nossa região. Aqui, nestes dois últimos anos, entrou em operação a estação de tratamento de esgoto de São Manuel, Jaú e Pederneiras. Então, está tendo uma evolução muito boa”, garante o gerente.

Braga lembra que outros municípios também já conseguiram a licença para construir estações de tratamento de esgoto através do Projeto Águas Limpas, do governo do Estado.

“Foi emitida a licença, relativa ao projeto Água Limpa, para os municípios de Igaraçu do Tietê, Mineiros do Tietê, Guaiçara, Iacanga, Dois Córregos e Bariri. Recentemente, também para os municípios de Reginópolis e Itapuí, além de outros dois que estão tentando entrar no projeto”, revela.

Para tentar amenizar o problema da baixa oxigenação da água, a ONG Mãe Natureza comunicou a Companhia Energética do Estado de São Paulo (CESP) sobre o ocorrido. As comportas da represa foram abertas e a oxigenação da água aumentou. “Não volta ao normal, mas já melhora um pouco a oxigenação para os peixes”, conta Marconato.

O gerente da Cetesb explica que o órgão não chegou a coletar amostras de água no local.

“Nós já tínhamos os dados da própria Cesp, então não coletamos porque o problema basicamente foi a chuva que arrastou lodo de fundo”, explica, lembrando que a Cesp já tinha conhecimento sobre o baixo índice de oxigenação na água.

O problema ocorre, segundo a bióloga, não apenas em Barra Bonita, mas desde o rio Piracicaba. “Nós pesquisamos e parece que estava tendo esta mortandade desde o rio Piracicaba, não foi localizado. Vem da cabeceira até a represa de Barra Bonita”, conclui.

Apesar da baixa oxigenação da água do rio Tietê verificada nas proximidades de Barra Bonita, laudo da Cetesb aponta que a prainha de Igaraçu do Tietê, cidade vizinha de Barra Bonita, está propícia para a balneabilidade, ou seja, adequada para o banho.

Quando uma praia é avaliada própria para banho significa, segundo a Cetesb, que não há presença de algas potencialmente tóxicas ou outros organismos que oferecem riscos à saúde humana ou ainda elevada densidade de coliformes fecais.

A amostragem da Cetesb, no entanto, é anterior à mortandade dos peixes, abrangendo o período do dia 8 de novembro a 4 de dezembro deste ano.

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