Esportes

Ginástica: Na Super Final, Diego Hypólito tenta série que lhe causou fratura

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Um ano e oito meses após se contundir no Ibirapuera, Diego Hypólito volta ao mesmo ginásio para buscar o bi na Super Final da Copa do Mundo, inaugurar uma torcida particular e entrar definitivamente para a história da ginástica artística.

Favorito na prova de solo, na qual defende o título obtido em Birmingham-04, Diego estreará hoje o Hypólito, movimento inédito que leva seu nome e que consiste num duplo twist carpado (que consagrou Daiane dos Santos) com uma pirueta. “Tentar explicar o movimento é difícil. É só ver mesmo. E, mesmo assim, é difícil, porque é muito rápido”, diz o ginasta, 20 anos, que treina o novo elemento há cerca de dois anos e o executa em menos de cinco segundos.

“Nos treinos, ele faz perfeito. Mas precisa ver no tablado, que é diferente. Aqui o solo fica a 80 cm do chão, dificulta cravar o movimento. No treino, não”, diz Renato Araújo, que treina Diego desde os oito anos e até usa numerologia para desvendar os destinos do pupilo. “Mas é segredo. Fica entre a gente.”

Caso acerte o Hypólito, o maior ginasta brasileiro, dono de ouro e prata em Mundiais, terá o sobrenome inscrito no código de pontuação, assim como Daiane e seu Dos Santos. “Quero fazer história. Mas estou com medo. Primeiro, porque sempre acerto no treino, então não sei qual é a margem de erro, o que é preciso melhorar. Segundo, porque é uma disputa sem classificatória, ou seja, se errar, eu perco.”

Na única vez em que usou o Hypólito em torneios oficiais, no Brasileiro de Goiânia, em agosto deste ano, Diego acabou fraturando o pé esquerdo. Apesar de não guardar receio de se contundir, mesmo sendo forçado a usar bota de esparadrapo por segurança - resquício da lesão do Brasileiro -, Diego revela que sentirá um “inevitável” frio na barriga. Ainda mais sabendo que na arquibancada estará sua namorada, Luciana Hemaiz, que, pela primeira vez em sete meses de namoro, irá ver o amado.

Mesmo sem encarar o rival romeno Marian Dragulescu, que desfalca a prova por lesão na panturrilha, Diego diz que o favoritismo só aumenta a pressão. “Queria que ele estivesse na decisão, pois valorizaria a conquista. Vou para o tudo ou nada. Abrirei com o Hypólito (na primeira das cinco passadas), diante da torcida brasileira. Para piorar, serei o primeiro a atuar. O desafio é enorme.”

Ele irá encarar rivais que prometem dificultar as coisas. Em especial os canadenses Brandon O'Neill, vice-campeão mundial, e Kyle Shewfelt, campeão olímpico. “Se o Diego acertar, ganha fácil. Se bobear, os caras vêm para cima”, comenta Araújo. E os desafios de Diego não acabam hoje, já que amanhã ele compete na decisão do salto.

Comentários

Comentários