São Paulo - Sexo masculino, natural de São Paulo, data de nascimento 13 de fevereiro de 1937. São os primeiros dados que aparecem ao clicar a página do jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves no site dos procurados da Justiça da Polícia Civil de São Paulo. Ele é considerado foragido desde a última quarta-feira, quando seu mandado de prisão foi expedido.
A foto do jornalista - acusado pela morte da ex-namorada Sandra Gomide e condenado pelo crime em maio deste ano- aparece ao lado de criminosos procurados como Cigano, Barba e o Mostro, apelido de Carlos Fernando Manao, acusado da morte do delegado do Grupo de Operações Especiais (GOE) Luciano Heitor Beiguelman, no ano 2000.
A defesa do jornalista tentou negociar sua rendição, no entanto, anteontem, o desembargador Fábio Monteiro Gouveia, da 10.ª Câmara Criminal do TJ - que determinou a prisão do réu- recusou o pedido dos advogados. Paralelamente, a defesa de Pimenta Neves entrou com um pedido de liminar em habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para impedir sua prisão. O pedido ainda está sendo analisado pela ministra Maria Thereza de Assis Moura, da 6.ª Turma do STJ.
Pimenta Neves também é considerado foragido porque teria conhecimento da ordem de prisão, uma vez que seus advogados estiveram na audiência que a determinou, e não se apresentou. Na manhã de quinta, um de seus advogados, Frederico Muller, esteve no mesmo endereço e negou que seu cliente esteja foragido. Ele afirmou que Pimenta Neves está em local seguro e conhecido pela defesa.
De acordo com o advogado, sua intenção em negociar a apresentação do réu era “resguardar a integridade física e moral” dele. Na sentença, além de determinar a prisão imediata de Pimenta Neves, os desembargadores do TJ decidiram que ele não tem direito a um segundo júri e que a pena à qual ele foi condenado em maio último deve ser reduzida de 19 anos, 2 meses e 12 dias para 18 anos de prisão porque ele colaborou com o andamento do processo.
Crime
Sandra Gomide, à época com 32 anos, foi morta em um haras com dois tiros - um nas costas e outro no ouvido - disparados pelo ex-namorado, que foi diretor de Redação do jornal “O Estado de S.Paulo”.