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Há algo de podre no ar


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As elites econômicas estão deitando e rolando neste governo. Perceberam que o governo Lula faz concessões vergonhosas para conseguir governar. Bancos só lucraram, houve o inchaço desmesurado da máquina administrativa e o funcionalismo federal (o Judiciário) recebeu aumentos exorbitantes. A moda pega. Agora, os nossos ilustres manipuladores do dinheiro público, deputados e senadores, concedem a si mesmos o dobro do salário. E quem faz parte dessa corrente de oportunismo, ganância e egoísmo são pessoas em quem depositávamos esperança, ou seja, o comunista Aldo Rebelo, e uma mulher no poder, Ellen Gracie, que votou pelo reajuste do STF acima do teto estabelecido.

Mas, atentem bem, o Lula precisa sancionar o aumento da Câmara. Se estivesse preocupado realmente com o Brasil, condenaria publicamente essa aberração salarial, mas não, em entrevista disse que ignorava o assunto, para variar, não protestou e, com certeza, vai permitir o aumento porque, nessa trajetória do poder, perdeu a credibilidade e a força moral. Nem do Bush ele fala mais nada, está sempre conversando amigavelmente com um ditador que está destruindo o mundo. Que decepção, curvar-se assim à elite usurpadora de um dinheiro que deveria ser revertido às necessidades básicas do povo. E esses aumentos vêm em cascata, todos querendo uma fatia do bolo.

Agora, a situação vai piorar porque o Lula quer o crescimento econômico a qualquer custo, afirmando que o entrave está nas licenças ambientais. Quanta ignorância, essa atitude de permissividade à destruição dos bens naturais gerará miséria a longo prazo, e, pode ser que caia uma das únicas coisas positivas do governo: a ministra Marina Silva.

Mas a elite egoísta se comporta da mesma maneira em todo lugar. Aqui em Bauru, moradores do edifício “Chicão”, prédio com amplos apartamentos e pessoas abastadas, conseguiram na Justiça (justiça?) suspender a taxa de esgoto, cujo valor, para eles, deve ser uma mixaria. Esta, de todas as taxas, é a mais urgente e imprescindível, está servindo para despoluir os rios e trazer saneamento básico à população. Os ricos gastam tanto em supérfluos e não se preocupam se o esgoto de sua cidade está escorrendo a céu aberto, poluindo a água que vai para as torneiras deles mesmos. E depois criticam o Tuga! Taxa ou tarifa, esse questionamento não deveria estar acima do interesse coletivo, do bem maior. Tal alienação e individualismo abrem um sério precedente que pode comprometer o andamento das obras. O Brasil não tem jeito mesmo, estamos todos perdidos num lamaçal sem fim.

A autora, Lúcia Helena B. Alves, é professora de sociologia

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