Nem todos os casos de negligência identificados pelas estudantes Paula Gallotti Baezza e Simone Martins Dantas são motivados por diversão. Se muitas mulheres jovens deixam os filhos sozinhos para ir a bailes ou passar a noite em bares, outras são obrigadas a fazer isso para poder sustentar a família.
Para Damaris Silva Oliveira, assistente social responsável pelo Centro de Registro e Atenção aos Maus Tratos à Infância (Crami), órgão ligado à Fundação Toledo (Fundato), casos de abandono motivados por necessidade financeira não poderiam sequer ser denominados de negligência.
“Muitos pais têm de fazer escolhas difíceis: ou deixam as crianças trancadas em casa o dia todo e saem para trabalhar ou cuidam dos filhos e passam fome”, argumenta. Para Dantas, os casos de abandono motivados por falta de dinheiro poderiam ser minimizados caso o poder público investisse mais em educação.
“Às vezes, as mães deixam os filhos sozinhos porque não encontram vagas em creche”, pensa Dantas. Oliveira lembra que muitas pessoas ainda costumam associar a violência doméstica aos grupos sociais menos favorecidos, mas na opinião dela, isso é um equívoco.
“Problemas como agressões físicas e negligência também atingem as classes altas. A diferença, nesses casos, é que tudo costuma ficar mais camuflado”, garante.