A chegada das férias de final de ano representa uma espécie de “alforria” para muitos jovens de Bauru. Livres das obrigações escolares, os adolescentes que não trabalham podem enfim aproveitar a vida de maneira despreocupada.
Os mais privilegiados têm até a chance de viajar a lugares distantes. Para os que não dispõem dessa sorte, resta uma cidade sem grandes opções de lazer. Em Bauru, praticamente toda a diversão disponível atualmente está concentrada no setor de serviços.
É nesse contexto que as lan houses - estabelecimentos comerciais nos quais é oferecido acesso a Internet e jogos de computador em rede - vêm ganhando cada vez mais destaque, a ponto de terem se transformado num dos passatempos mais populares da cidade, inclusive entre as pessoas de maior idade.
Hoje elas estão espalhadas por todos os cantos de Bauru, podendo ser encontradas tanto ao lado do Calçadão da rua Batista de Carvalho quanto em bairros mais distantes do Centro, como a Vila Independência ou o Parque Vista Alegre.
Ninguém sabe especificar quantas são, mas o certo é que o movimento delas costuma dobrar nesta época do ano. Nos cadastros da Prefeitura Municipal, por exemplo, elas aparecem misturadas a estabelecimentos de diversas naturezas: bares, bingos, bilhares, fliperamas.
Se esses dados fossem levados em conta, Bauru possuiria, oficialmente, pouco mais que 30 lan houses. A quantidade é tão reduzida que quase ninguém costuma levá-la muito a sério. Sérgio Massami Takahashi, dono de um estabelecimento no Parque Bela Vista, acredita que esse número seja bem superior a 50.
Ele parece estar certo, e prova disso são os baixos preços praticados pelas lan houses da cidade: hoje em dia, qualquer bauruenses pode ter acesso a jogos de computador em rede ou a Internet por menos de R$ 3,00 a hora. A concorrência é grande e acaba tornando efêmera a vida desses lugares.
Para sobreviver em um ambiente tão competitivo, proprietários de lan houses apelam para todo tipo de estratégia. Alguns estabelecimentos tentam atrair clientes com “preços camaradas” - certos locais em Bauru chegam a cobrar apenas R$ 1,00, a hora -, ao passo que outros procuram oferecer serviços variados aos usuários, como xerox, impressão de currículos, digitação de trabalhos escolares, manutenção de computadores, venda de alimentos (salgados, balas, refrigerantes, chocolate).
Apesar dos pesares, quem consegue suportar a pressão da concorrência não tem muito do que reclamar, pois as lan houses da cidade estão sempre cheias, independente de dia e horário. A procura é tanta que muitos locais precisam ser ampliados para poder receber mais clientes.
Charles Mendonça, 20 anos, possuía somente quatro computadores quando abriu uma lan house na Vila Falcão, há cerca de um ano. Com o passar do tempo, a quantidade de máquinas cresceu para cinco, seis e, finalmente, sete. Ele espera elevar esse número para dez, em janeiro próximo.
Washington Nomura tem obtido êxito semelhante com sua lan house, localizada na Vila Independência. Ele possui 17 equipamentos em funcionamento atualmente, mas já tem intenção de adquirir outros 16 ano que vem.
Algo interessante nisso tudo é que o crescimento do setor se dá em meio a condições não muito favoráveis. Além da forte concorrência, os proprietários desses locais são obrigados a enfrentar diversos tipos de restrições legais.
Adolescentes com menos de 16 anos, por exemplo, só podem freqüentar lan houses com autorização por escrito dos pais. Já as crianças menores de 12 anos são proibidas de permanecer em estabelecimentos do gênero, a menos que estejam acompanhadas por algum responsável.