Bairros

Estabelecimentos priorizam oferta de Internet

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar de terem ficado famosas como espaços de jogos de computador em rede, as lan houses tiveram de se adaptar às necessidades do público brasileiro para poderem prosperar. Como grande parte da população ainda não tem computador em casa, muitas pessoas encontraram nos locais uma forma viável de se conectar à Internet.

De uns tempos para cá, os estabelecimentos se multiplicaram, inclusive em Bauru, e as lan houses se converteram num dos principais instrumentos de democratização da Internet. Hoje em dia, embora muitos ainda freqüentem os locais em busca de diversão eletrônica, a maioria está mesmo interessada em ter acesso barato à web.

A preferência é fácil de ser detectada em qualquer uma das lan houses da cidade. João Roberto Alves Atílio é proprietário de um estabelecimento situado no Centro. Com apenas três meses de atividade, o local já conta com freguesia formada, tanto que vive lotado. Pelas contas de Atílio, cerca de 70% das pessoas que freqüentam sua lan house estão em busca de acesso à Internet. “A maioria vem aqui para usar salas de bate-papo, MSN e Orkut”, assegura.

Em outros lugares a proporção se repete. Sérgio Massami Takahashi tem 35 anos e é dono de uma lan house no Parque Bela Vista (zona oeste de Bauru). O local - um dos mais antigos do ramo em atividade na cidade - costuma ser bastante freqüentado, principalmente pelos jovens do bairro.

Ele calcula que aproximadamente 100 pessoas passem pelo local todos os dias. A variação do número de computadores colocados à disposição do público no estabelecimento ajuda ao longo dos anos a dar uma idéia de como o negócio tem sido promissor para Takahashi. Quando ele abriu a lan house, em 2002, o local contava com dez máquinas. “Hoje já são 16”, confirma.

Charles Mendonça, 20 anos, também teve a chance de experimentar uma evolução parecida em sua lan house. Ele possuía apenas quatro computadores quando iniciou o negócio, há pouco mais de um ano. Com o passar dos meses, a clientela foi aumentando e, para atender à crescente demanda, o jovem proprietário foi obrigado a adquirir novos equipamentos. “Atualmente tenho sete máquinas à disposição, mas quero ver se consigo comprar mais três até janeiro”, espera.

Motivos para tamanha euforia não faltam, principalmente porque o estabelecimento costuma estar sempre repleto de usuários. Um fator que favorece o bom andamento dos negócios de Mendonça é a fidelidade dos clientes. “Tem muitos que aparecem aqui todos os dias”, afirma.

João Paulo Muniz, 28 anos, é o tipo de freqüentador que faz a alegria dos proprietários de lan houses. DJ e webdesigner, ele passa grande parte do dia trabalhando com equipamentos de informática e, mesmo nos períodos de descanso, não consegue se afastar dos teclados.

Apesar de possuir computador em casa, Muniz é usuário assíduo de lan houses. Presença constante no estabelecimento de Atílio, o webdesigner conseguiu arrumar o “emprego dos sonhos”. “Eu vinha muito aqui, e fiquei sabendo que estavam precisando de um atendente. Conversei com o dono, e ele resolveu me dar uma chance”, conta.

Apesar de satisfeito em poder acessar a web a qualquer hora do dia, Muniz reconhece que o uso excessivo de computadores pode ser perigoso. “Para falar a verdade, isso chega a viciar. Você deixa de fazer muitas coisas com amigos para ficar na Internet”, diz.

A estudante Rafaela Pirani dos Santos costuma ser precavida ao usar a web. Ela possui cadastros em cinco lan houses da cidade, mas evita deixar que as relações virtuais prejudiquem sua vida social. “Quando percebo que estou negligenciando meus amigos ‘reais’, procuro dar tempo com a Internet”, garante.

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Fidelidade

Uma das principais marcas da clientela de lan houses é a fidelidade. Alguns freqüentadores são tão assíduos que chegam a se tornar amigos dos proprietários. Charles Mendonça já perdeu a conta de quantas pessoas já conheceu desde que iniciou seu negócio, há um ano.

Sérgio Massami Takahashi também possui vários clientes fiéis. “Tem gente que chega a gastar mais de R$ 100,00, ao mês”, garante. Em alguns casos, a amizade se torna tão grande que muitos fregueses acabam sendo contratados para fazer atendimento ao público.

Maurício Rodrigues Amorim, 18 anos, foi tanto a um estabelecimento na Vila Independência, nos últimos três meses, que acabou ganhando a confiança do proprietário, Washington Nomura, a ponto de ter sido contratado para atender as cerca de 200 pessoas que freqüentam o local todos os dias.

O DJ e webdesigner João Paulo Muniz, que trabalha numa lan house do Centro, é outro dos inúmeros casos desse tipo existentes na cidade. “Eu vinha muito com amigos e acabei fazendo amizade com o dono”, conta. “Viciado” em Internet, ele está satisfeito com o novo trabalho. “Para alguém como eu, que passo o dia todo em frente ao computador, esse emprego está sendo ótimo”, diz.

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