Regional

Jaú tem ensino individualizado para autistas

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - No filme “Rain Man”, Dustin Hoffman vive o papel de um autista enclausurado num hospital psiquiátrico. Por conta do preconceito, Raymond Babbitt, o personagem, não era conhecido nem mesmo por seu irmão mais novo. O encontro entre os dois acontece após a morte do pai, por causa da herança. Motivado pelo dinheiro, o irmão começa a conviver com o autista e entre eles nasce uma relação harmônica. A história ficctícia ilustra bem o preconceito e o desenvolvimento do autista no convívio da sociedade. Em Jaú (a 47 quilômetros de Bauru), a Associação de Pais, Amigos e Educadores do Autista luta para aumentar a infra-estrutura e ampliar o atendimento na cidade e região.

O autista não é um doente, mas uma pessoa que não está estruturada adequadamente para o convívio. Cada um tem um grau de dificuldade, por isso o ensino deve ser individualizado. Esta é a opinião do médico Guilherme Antonio Cestari Filho, vice-presidente da associação. Segundo ele, o autista tem de ser ensinado. “Eles têm habilidades manuais, intelectuais e artísticas. É preciso reconhecer quais são essas habilidades para trilhar nesse caminho”, opina.

O médico frisa que, para saber se uma criança é autista, os pais têm de observar seu comportamento. “O principal ‘sintoma’ está no comportamento junto à família. Eles têm dificuldades em se socializarem, em se localizarem”, explica.

Para reestruturar o comportamento do autista é necessário uma equipe multidisciplinar, ressalta Cestari Filho, trabalho que a associação realiza por meio do Esfera - Espaço de Formação e Reintegração do Autista em Jaú. “Jaú é uma das cidades pioneiras a ter uma escola desse tipo, que funciona há três anos. O tratamento exige um neurologista ou psiquiatra para o diagnóstico, além de fonoaudiólogo, psicólogo, profissional de educação física, musicoterapia, psicopedagogia entre outros.”

Para a diretora pedagógica da associação, Neyde Maria de Andrade Felippe, o autista é uma pessoa que precisa de uma comunicação alternativa. “Ela aprende, entende, só que tem dificuldade de se expressar”, diz.

Tomar banho, escovar os dentes e ir para o colo mamar são dificuldades para os portadores da síndrome. “Eles precisam de treinamento em habilidades sociais básicas como tomar banho, por exemplo”, ensina.

Para a diretora pedagógica, o bebê que não se aconchega no colo dos pais, chora muito ou não chora nunca, dá ‘sinais’ que podem levar os pais a perceberem que alguma coisa não está bem com ele. “Na verdade, não tem um padrão. O importante é que todos aprendem. É como um cego que precisa do braile para se comunicar. O autista precisa de uma comunicação própria para que ele possa entender o mundo ao seu redor”, afirma.

Um dos maiores mitos criados em torno do autismo é que o portador da síndrome vive em seu próprio mundo, frisa a diretora pedagógica. “Precisamos desmitificar isso. O autista recebe a comunicação, mas não decodifica a mensagem. Muitas vezes ele é tido como débil. Para evitar o erro de diagnóstico seria preciso ter médicos especializados nessa síndrome, não existem exames clínicos que provem o autismo.”

O comprometimento no comportamento pode ser constatado através de avaliações específicas. “Constatando as alterações de comportamento e grau de comprometimento criamos os planos educacionais individuais. O nosso trabalho parte do que o aluno pode fazer e não daquilo que ele não pode lidar”, aponta Neyde Maria de Andrade Felippe.

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