Regional

Associação dos Autista de Jaú quer casa’ nova para atender a cidade e região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Jaú - O terreno foi doado pelo município, o projeto foi um ‘presente’ da Secretaria de Habitação em parceria com arquitetos. Faltam os materiais e a mão-de-obra para a planta sair do papel e tornar realidade o Esfera - Espaço de Formação e Reintegração do Autista em Jaú (a 47 quilômetros de Bauru). A escola, que é uma das únicas da região, atende 15 alunos. Tem uma lista de espera de mais quatro e pretende atender 40, 20 em cada período numa infra-estrutura criada para as necessidades desse público.

A campanha lançada na última semana no Jaú Shopping pretende mobilizar empresários para que o Centro Educacional para portadores de autismo deixe a casa adaptada para o atendimento e seja referência na região. A campanha, que pretende arrecadar recursos, foi criada por uma agência de publicidade da cidade, também parceira do Esfera. “O objetivo é conscientizar a população sobre o autismo”, explica Cristiani Vieira.

Em Jaú há aproximadamente 22 autistas. Na região calcula-se que haja mais portadores da síndrome e as escolas são raras. “Temos um convênio com a Secretaria Municipal de Educação e queremos ampliar. Os pais de outros municípios têm procurado, mas não temos como atendê-los”, comenta a diretora social da associação, Alzira Fátima Voltolin.

Como exemplo dessa demanda reprimida, ela conta que o centro educacional atende um aluno com 26 anos que pela primeira vez está freqüentando a escola. “Não achamos justo. Queremos junto com a diretoria construir mais salas de aula, oficinas. O novo prédio vai ter 450 metros quadrados. Nossa intenção é sensibilizar os empresários para serem parceiros nossos dessa empreitada”, afirma.

Para trabalhar com os alunos, o Esfera adota o método Teacch, criado por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte (EUA) há mais de 30 anos. É através dele que se aplica o Programa de Educação Individual (PEI). Nele o autista é avaliado individualmente e integrado a uma sala com poucos alunos para que cada um desenvolva suas habilidades respeitando suas limitações.

A diretora pedagógica da associação, Neyde Maria de Andrade Felippe, diz que o processo tem início a partir daquilo que o autista já sabe. “Através do que ele sabe, nós resgatamos a independência, possibilitamos que ele diga que está com dor de barriga. A vida toda ele foi forçado a fazer o que os outros querem por não saber verbalizar”, aponta.

Pelo método Teacch, os ambientes são visuais e sinalizados com a finalidade de facilitar a comunicação dos autistas. Através da observação e do pareamento entre figuras, o portador da síndrome responde a estímulos usando as mesmas ferramentas.

As mudanças que ocorrem no nosso cotidiano são situações completamente difíceis para o autista entender. “A comunicação dele é diferenciada, na verdade a deficiência dele é global. Abrange as cinco áreas sensoriais”, explica.

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Resistência dos pais

João, nome fictício, já tinha 1 ano e 8 meses quando começou a apresentar um regresso na fala. O isolamento passou a ser constante, o carinho não era bem aceito, o beijo e o abraço dos pais eram recusados. O comportamento estranho para uma criança de tão tenra idade despertou os pais, que foram a procura de um esclarecimento, até que os médicos constataram que o garoto era um autista.

O pai, Antonio Donizete Milani, que hoje é o presidente da Associação de Pais e Amigos e Educadores do Autista de Jaú, comemora os avanços. “Na escola ele começou a se desenvolver. Hoje ele conhece o alfabeto completo, sabe os números. Pede as coisas que quer. Olha nos olhos da gente, ele faz tudo o que pede para ele fazer”, afirma.

As crises de gritos e de agressão, muitas vezes são tidas como birra, explica a diretora pedagógica da o Esfera - Espaço de Formação e Reintegração do Autista em Jaú, Neyde Maria de Andrade Felippe. “Muitos de nossos alunos apanhavam porque os pais pensavam em birra. O autista não é agressivo nem auto-agressivo, mas comunica que alguma coisa não está bem com ele.”

"O autista repete palavras sem função nenhuma. De cada 10 mil habitantes, cerca de 20 são autistas de alto funcionamento. Eles escolhem uma ilha neural para que eles possam desenvolver. Por exemplo, sabem tudo de avião, mas se perguntar 1+ 1 eles não sabem”, aponta.

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