Ser

Intuição a serviço da inteligência emocional

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 5 min

Intuição, segundo o dicionário Aurélio, significa o ato de ver, perceber, discernir, percepção clara e imediata, discernimento instantâneo. Na prática, sua tradução vai além: a pessoa intuitiva descobre possibilidades, pensa positivamente e tem maior qualidade de vida. Longe de ser um fenômeno místico ou transcendental, este conhecimento é um estado mental que torna possível captar informações da esfera afetiva.

Justamente por isto, muitas pessoas chamam a intuição de “terceiro olho” ou sexto sentido, aponta a psicoterapeuta e mestre em saúde mental Ana Celina Pires de Campos Guimarães. De acordo com ela, a intuição pode ser útil no dia-a-dia. “Ela torna os indivíduos mais sensíveis e capacitados para perceber o não-dito e estimula a harmonização em todas as situações. É o que hoje se discute muito por meio do conceito de inteligência emocional”, diz.

A psicóloga e professora universitária Regina Paganini Furigo tem pensamento semelhante ao de Ana Celina. Ela cita o psiquiatra Carl Gustav Jung, fundador da Escola Analítica de Psicologia, que classifica as atitudes humanas em introvertidas e extrovertidas. Na sua visão, a mente possui quatro funções principais e que ajudam os indivíduos se adaptar no mundo: pensamento, sentimento, sensação e intuição.

Já Sigmund Freud, aponta Ana Celina, trouxe uma expansão do conhecimento quando constatou que a mente é constituída de uma parte consciente e de uma grande parte inconsciente, que possui um funcionamento diferente. “Todos os seres humanos têm contato com ele através dos sonhos, simbólicos, confusos, disfarçados, entre outros”, explica. “Pode-se dizer, de maneira simplificada, que na intuição há o contato de inconsciente para inconsciente”, diz a psicoterapeuta, ressaltando que isto é perfeitamente possível e ocorre freqüentemente - às vezes muito mais do que as pessoas imaginam. “Quem ainda não viveu a experiência de começar a pensar em alguém distante e essa pessoa telefonar?”, indaga Ana Celina.

Experiências desse tipo são comuns no cotidiano da advogada Rosemara Romero Bispo de Carvalho, 35 anos. Ela tem percepção apurada para captar emoções e mais facilidade para perceber detalhes importantes do cotidiano, o que influi positivamente em sua vida. “Isto ajuda a identificar e perceber quando um familiar ou amigo não está bem. E, muitas vezes, a pessoa que eu estava pensando me procurou”, diz.

A atriz Elisabete Benetti, 46 anos, também é intuitiva. Ela conta que esse conhecimento abre espaço para diversas possibilidades em sua vida. Em sua profissão, por exemplo, a intuição exerce influência nos personagens e espetáculos teatrais. Mas é no relacionamento com a filha que o sexto sentido se manifesta de maneira mais intensa. “Já aconteceu da minha filha sair e eu ter um pensamento mais forte, sentir saudade e, de repente, ela me ligar falando que não estava bem. É uma ligação direta”, diz.

Assim como Rosemara, Elisabete tem facilidade em perceber o sentimento das pessoas e estabelecer uma relação mais próxima com familiares e amigos. “Quando penso muito em alguém normalmente essa pessoa está pensando em mim ou precisando de alguma coisa.”

Percepção natural

Todas as pessoas podem ter sexto sentido, destaca Ana Celina. Segundo ela, o ser humano nasce puramente intuitivo. “O bebê ‘sabe’ que tem que sugar para mamar, sabe diferenciar sua mãe de outras pessoas.” Alguns indivíduos, porém, são mais perceptivos do que outros. Muitos vão perdendo essa capacidade durante o processo de socialização, explica a psicoterapeuta. “As pessoas que desenvolvem muito seu aspecto racional acabam desconsiderando e não utilizando sua potencialidade para a leitura afetiva.”

Este aspecto pode se agravar ainda mais no mundo atual, pautada em uma sociedade pragmática, onde as pessoas cada vez menos “olham para si próprias”, ressalta Ana Celina. Para Regina, existem pessoas que já nascem com característica genéticas de personalidade voltadas para a intuição. “Todos têm um tipo psicológico principal, que se caracteriza por uma tendência a agir de uma forma ou de outra”, aponta.

A intuição pode ser fruto de experiências acumuladas ao longo da vida. É uma sabedoria interior que flui de maneira espontânea, observa a professora e artista plástica Adrianna Lamat, 38 anos. “Quando o ser humano aprende a se ouvir, percebe o que está sentindo e sabe escolher o que é melhor para si”, diz. A frase é constantemente aplicada em seu dia-a-dia. A intuição é o primeiro impulso em relação a algo, conta. “Posso sentir, por exemplo, que determinada situação é boa ou não. Às vezes entro em um lugar e não me sinto muito bem. Isso me ajuda a escolher as coisas e me protege.”

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Matéria da capa

Meditação desenvolve percepção e equilíbrio da mente

Não existe receita para estimular a intuição, mas, em primeiro lugar, a pessoa deve estar em contato com suas emoções e com seu estado afetivo, aponta a psicoterapeuta e mestre em saúde mental Ana Celina Pires de Campos Guimarães. Para isto, a dica é “limpar” a mente de preocupações, desejos e medos. “Existem muitos caminhos para isto. Podemos citar a arte, a música, a meditação e a psicanálise, entre outros.” (ao lado outras dicas para estimular a percepção).

É por meio da meditação e do controle da mente que Adrianna Lamat, artista plástica e professora, desenvolve sua percepção. “Quando se aprende a disciplinar a mente, os pensamentos negativos podem se transformar em positivos”, diz. Com a meditação, ela mantém o equilíbrio interno. “A única maneira de conseguir isto é viver plenamente o momento presente, sem preocupações futuras ou lembranças exageradas do passado”, diz.

A advogada Rosemara Romero Bispo de Carvalho concorda com Adrianna. “Depois que passei a meditar, me tornei mais confiante”, diz. A prática também faz parte do cotidiano da atriz Elisabete Benetti. “Nós temos que ter um cuidado com nossa mente porque ela é maluca. Ela não pára e nós precisamos dar uma pausa. E a pausa é a meditação”, aponta ela, que participa também de grupo de oração e mentalização.

Sugestões

Reserve um tempo para meditar.

Escute uma boa música, deixando-se levar pelos sons e sensações proporcionadas por ela.

Sempre que possível, contemple a natureza, faça caminhadas no parque e cuide das plantas

Procure estar em contato com a arte, o que ajuda a aumentar a sensibilidade.

Evite pensamentos negativos.

Fonte: Psicóloga Regina Furigo

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